O Equilibrista

10/11/2009

O Equilibrista

O francês Philippe Petit ganhou a vida desde sua juventude atuando como motociclista, mágico e mímico nas ruas de Paris. Como equilibrista, ganhou fama mundial. Se já não fossem feitos impressionantes a travessia em cabo de aço na Catedral de Notre Dame e na Ponte da Baía em Sidney, ele realizou um outro que qualquer um daria como impossível: caminhar entre as Torres Gêmeas por quarenta e cinco minutos sem qualquer equipamento de segurança. É exatamente este registro impressionante o destaque do documentário vencedor do Oscar “O Equilibrista”, do diretor James Marsh, cujo trabalho anterior foi “The King”, longa-metragem de 2005 protagonizado por William Hurt e Gael Garcia Bernal.

O interesse em executar este risco veio através de uma visita em um consultório odontológico. Foi na sala de espera que ele se deparou com um artigo que revelava a ambiciosa construção do World Trade Center. Logo, aguardar pela finalização das obras e estudar todo o espaço para a travessia da Torre Sul à Torre Norte virou uma obsessão.

A estrutura do documentário trás depoimentos da equipe de Petit, que era composta por amigos e a sua namorada, além de vídeos, fotos de arquivo da época e encenação com verdadeiros intérpretes. E, claro, a presença ilustre do próprio equilibrista, que hoje tem sessenta anos e que dá depoimentos com a harmonia de um jovem. A vida de Petit é cinematográfica por natureza e o filme exalta a escolha da vida que deve ser vivida com rebeldia, no máximo do limite, desprezando qualquer decisão de destacar o trágico atentado terrorista do 11 de Setembro que transformou em ruínas as Torres Gêmeas. É uma decisão sábia do realizador para que o vigor de sua obra não seja ofuscado pelo drama da data fatídica. Pena que o feito de Petit seja menos mágico do que se imagina na tela em seus minutos finais por causa do escasso material daquele sete de agosto de 1974.

Título Original: Man on Wire
Ano de Produção: 2008
Direção: James Marsh
Elenco: Philippe Petit, Jean François Heckel, Jean-Louis Blondeau, Annie Allix, David Forman, Alan Welner, Mark Lewis, Barry Greenhouse, Jim Moore e Guy F. Tozzoli.
Nota: 8.0

Downloading Nancy
É como estar virada para cima e brincar. É isso que acha que se sente? Não. A morte é como sugar oxigênio. E a vida? É como estar presa na casa errada procurando a saída. Como sabe que vai poder respirar já que está morta? Porque estarei fora do meu corpo. Estarei flutuando e livre. Como você sabe? Como sabe que não será pior? Sei que estarei melhor que agora. Você não sabe isso, Nancy. A morte como você diz é deixar seu corpo mas não a mente. E se estiver presa dentro da sua mente? E aí? Então a libertarei e serei livre. Se pode se liberar lá, por que não se libera aqui?

Into The Groove - Madonna (Procura-se Susan Desesperadamente)
And you can dance
For inspiration
Come on
I’m waiting

Get into the groove
Boy you’ve got to prove
Your love to me, yeah
Get up on your feet, yeah
Step to the beat
Boy what will it be

Music can be such a revelation
Dancing around you feel the sweet sensation
We might be lovers if the rhythm’s right
I hope this feeling never ends tonight

Only when I’m dancing can I feel this free
At night I lock the doors, where no one else can see
I’m tired of dancing here all by myself
Tonight I wanna dance with someone else

Gonna get to know you in a special way
This doesn’t happen to me every day
Don’t try to hide it love wears no disguise
I see the fire burning in your eyes

Live out your fantasy here with me
Just let the music set you free
Touch my body, and move in time
Now I now you’re mine

You’ve got to

Now I know you’re mine, now I know you’re mine
Now I know you’re mine, now I know you’re mine
You’ve got to

Milagre em Sta. Anna

Embora lida com mais uma história sobre o Holocausto, o espectador já pode esperar por um registro diferente de todos aqueles já concebidos ao mergulharem no drama “Milagre em Sta. Anna”, dirigido por Spike Lee. Trabalhando com o maior orçamento de toda a sua carreira (45 milhões de dólares), o projeto se tornou um fiasco de bilheteria e crítica por duas razões. O primeiro veio com a demissão do empresário de Spike Lee posterior ao fracasso do filme. A segunda, que é muito mais grave, surgiu na época de divulgação do longa, onde Spike Lee teceu um polêmico bate boca com o cineasta Clint Eastwood por conta de seu descontentamento em não ver atores negros presentes em “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”.

Em “Milagre em Sta. Anna”, a trama persegue quatro soldados negros em plena Segunda Guerra Mundial. Mas se trata de um longo flashback, já que o filme se inicia na década de 1980 com Hector Negron (Laz Alonso) assassinando sem razão aparente um senhor presente na fila da agência de correio onde trabalha. Ele só começa a explicar a razão deste crime quando o jovem jornalista Tim Boyle (Joseph Gordon-Levitt) insiste para que ele justifique este ato. Mais do que isto: pede que também entre em detalhes sobre como adquiriu a cabeça de um monumento italiano valioso, encontrado em sua casa na coleta de alguma prova a ser usada em seu julgamento. É deste ponto que o roteiro, adaptado do livro homônimo de James McBride, ganha formas, encenando o confronto dos nazistas contra a Divisão Búfalo, formado somente por soldados negros, em Toscana.

Se é inédito para Spike Lee o cenário que ele habita em “Milagre em Sta. Anna”, as características de seu cinema continuam presentes. A questão do preconceito, claro, é o que mais predomina na narrativa, com soldados sendo desprezados e virando alvo fácil em campo inimigo por causa de etnia. Além do mais, Lee continua construindo sequências fortes, como o farto massacre de soldados norte-americanos e italianos. A trilha singular de Terence Blanchard, constante colaborador do cineasta, eleva o choque. O problema está na metragem. Ao focar as atenções no pequeno e inocente Angelo (Matteo Sciabordi), “Milagre em Sta. Anna” se alonga, ainda que o personagem seja a chave do filme. Mesmo assim, é acima da média, embora o seu próprio realizador precisa rever os seus conceitos antes de proliferar asneiras para cineastas como Eastwood e Woody Allen.

Uma observação: sendo uma obra importante na filmografia de Spike Lee, é possível localizar diversas presenças especiais no filme, incluindo de atores que já trabalham com o diretor nascido em Georgia em cinquenta e dois anos atrás. John Turturro (“Faça a Coisa Certa”) e John Leguizamo (“O Verão de Sam”) têm participações quase relâmpagos. Mas vale é direcionar todas as atenções para Alexandra Maria Lara, que fez a secretária de Hitler em “A Queda – As Últimas Horas de Hitler” e que aparece fantástica no momento mais assombroso de “Milagre em Sta. Anna”.

Título Original: Miracle at St. Anna
Ano de Produção: 2008
Direção: Spike Lee
Elenco: Derek Luke, Michael Ealy, Laz Alonso, Omar Benson Miller, Pierfrancesco Favino, Valentina Cervi, Matteo Sciabordi, John Turturro, John Leguizamo, Joseph Gordon-Levitt, Kerry Washington, D.B. Sweeney e Alexandra Maria Lara.
Nota: 7.0

Tô de Férias

05/11/2009

Tô de Férias
Se há um gênero que é garantia de grande público nas salas de cinema hoje em dia é sem dúvida a animação em longa-metragem. O público-alvo, o infantil, nunca foi muito exigente e qualquer título animado que esteja em exibição já é o suficiente para que a diversão reine diante da tela grande. O que é bom, é verdade. No entanto, nem sempre são bons os filmes que ganham espaço no circuito. “Tô de Férias”, que foi exibido nos cinemas em março deste ano e que já possui uma continuação ainda inédita por aqui, é um exemplo perfeito disto.

A história flagra o professor Habakuk Tibatong e a sua turma (composta por um garoto, uma porca, um lagarto, um pinguim, um elefante marinho e um pássaro) as voltas com um misterioso ovo. Após séculos congelado ele se choca e o que aparece é um filhote raro de dinossauro. Ele cresce e, assim como os seus companheiros animais, fala como os humanos. Logo, o dinossauro desperta o interesse pelo rei da Pumpulônia, cujo hobby é caçar animais raros.

Um fato que certamente o público diminuto não deve estar informado (ou nem se dá ao trabalho de querer saber) é que “Tô de Férias” é uma produção alemã. A animação, que é digital, se revela bem distinta de todas que estamos habituados em assistir, como aquelas da Disney e Dreamworks. Serviria ao menos como curiosidade, mas os personagens não tem carisma, a história é redundante e o design, nada encantador ou impressionante. Mais um indício que confirma os americanos como aqueles que melhor dominam este gênero cinematográfico.

Título Original: Urmel aus dem Eis
Ano de Produção: 2006
Direção: Holger Tappe e Reinhard Klooss
Elenco: Vozes de Wigald Boning, Anke Engelke, Florian Halm, Christoph Maria Herbst, Kevin Iannotta, Ulrike Johanssen, Stefan Krause, Zoe Martin, Oliver Pocher e Domenic Redl.
Nota: 2.0