Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América
O comediante vencedor do Globo de Ouro de melhor ator em comédia/musical Sacha Baron Cohen desenvolveu e entregou pela primeira vez seu famoso personagem Borat no programa de sucesso “Da Ali G Show”. Com “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América”, Cohen e o diretor Larry Charles conseguem com bom êxito revolucionar a comédia numa mistura anárquica de humor com documentário. São tamanho os absurdos desenvolvidos na tela que ficamos inquietos ao perceber que certos trechos podem não ter sido uma mera encenação por parte dos “personagens reais”, ou melhor, o próprio cidadão americano.

A história que faz uma cutução ao comportamento, o formalismo ou até mesmo o preconceito acerca dos Estados Unidos mostra Borat em viagem passageira ao país com o intento de mostrar que a precariedade do Cazaquistão pode orçar os padrões americanos. Com pouco dinheiro, uma mala, um cinegrafista chamado Azamat Bagatov (Ken Davitian) e uma galinha (!) eles finalmente chegam ao lugar. Não demora para Borat apaixonar-se pela estonteante Pamela Anderson (a siliconada de “Todo Mundo em Pânico 3″, na sua melhor “interpretação”), criando uma perseguição obsessiva pela moça. Claro que ele irá se esbarrar com um casal de judeus (que ele teme como se fosse a encarnação do próprio diabo), com um grupo de mulheres feministas (que Azamat julga terem cérebro da medida de um esquilo), entre outras mórbidas situações.

Com este personagem cínico e ingênuo, acabamos identificando-nos com a figura de Borat de imediato, sendo fácil embarcar e gargalhar com diversas cenas. Esta evidência de risos do início ao fim só chega a determinado limite quando o filme joga de tempos em tempos conjunturas que não sabemos ao certo de devemos rir ou nos constranger, exemplo da embaraçosa e comentada luta entre Borat e Azamat. Este queridinho dos críticos de melhor comédia do ano não foi tão bem-sucedido o quanto esperado em termos de bilheteria no Brasil (entretanto, foi sucesso nas telas ianques), mas deve encontrar uma grande legião de admiradores no DVD, especialmente para os que apreciaram o não menos engraçado “Ali G Indahouse”, investida anterior de Sacha Baron Cohen nos cinemas.

Título Original: Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan
Ano de Produção: 2006
Direção: Larry Charles
Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell e Pamela Anderson
Nota: 7.5

Letra e Música

22/04/2007

Letra e Música
Bem-vinda é a união de Hugh Grant e Drew Barrymore nas telas de cinema. Mesmo que o casal possua um grau de talento questionável, é injusto negar que encontram-se confortáveis nas comédias românticas, gênero que os consagraram ao primeiro time de Hollywood. Grant costuma interpretar o canalha ou o boa-praça, enquanto Barrymore é a bem-sucedida ou a moça de parafusos a menos. Ele entregou ótimo desempenho em “Um Grande Garoto”, enquanto ela brilhou com “Donnie Darko” e “Os Garotos da Minha Vida”, mas é no carisma que ambos se destacam. Marc Lawrence provou novamente que sabe selecionar os rostos certos para seu novo “Letra e Música”, entregando um filme previsível, mas com alguns elementos autênticos, como a química entre os personagens principais através da música.

Alex Fletcher (Grant) era um famoso integrante do grupo musical “Pop” que atualmente sobrevive de pequenas turnês em centros públicos ou privados. Porém, surge a oportunidade do ex-astro reacender a chama do sucesso quando seu empresário Chris (Brad Garrett) apresenta uma proposta irrecusável: dividir as atenções nos palcos com a cantora Cora Corman (Haley Bennett) com uma nova canção com o intento de derrubar cantoras famosas do pódio das mais tocadas. Como previsto, ocorre uma barreira: ele não está nenhum pouco inspirado para escrever uma música. Desta maneira, ele conta com a ajuda de Sophie Fischer (Barrymore), jovem mulher que faz tarefas básicas na sua residência que demostra esplêndido talento com a escrita. Só que ela tem seus fantasmas para exorcizar, como a presença de seu ex-namorado (Campbell Scott), cujo envolvimento é descrito no desenvolvimento do filme.

Lawrence segue a mesma linha de um dos seus filmes anteriores, o descontraído “Amor à Segunda Vista”, onde opostos se atraem através da luta de conquistar algum objetivo. Esta visão de que a história acabará como o esperado pode ocasionar alguma decepção, mas a comédia romântica procura não fazer mudanças drásticas em fórmulas até então batidas, porém, infalíveis em algumas circunstâncias, o que acaba sendo um ponto positivo nesta saborosa produção de risos incessantes e contagiantes números musicais.

Título Original: Music and Lyrics
Ano de Produção: 2007
Direção: Marc Lawrence
Elenco: Hugh Grant, Drew Barrymore, Brad Garrett, Haley Bennett, Scott Porter, Kristen Johnston e Campbell Scott.
Nota: 7.0

Sangue & Chocolate

18/04/2007

Sangue & Chocolate
Segundo a lenda, lobisomens são criaturas mitológicas que estão ocultas dentro de nós, seres humanos. Porém, não são todos herdeiros deste dom. Aliás, maldição. Brigitte Fitzgerald narra em off no prólogo de “Possuída – O Início” que “segundo os índios, a maldição vem de longe e foi passada de geração para geração”. Na vida real, existem vários povos de credos distintos que dão novas estruturas as origens da aberração, porém, tudo não passa de histórias não comprovadas. No cinema, máquina criativa que é capaz de suprir argumentos mais inimagináveis possíveis, apostou neste mito como investimento ao gênero terror. Além de “Possuída – O Início” – uma verdadeira obra-prima que mescla horror e estilo gótico com muita sagacidade – temos um verdadeiro filme de lobisomens batizado como “Um Lobisomem Americano em Londres”, produção americana orquestrada por John Landis (do cult “Os Irmãos Cara-de-Pau”) que até então elevou o padrão dos efeitos especiais, limitado pela falta de recursos na época.

O restante, no entanto, não passa de fitas medianas ou bobagens inconseqüentes. Existe em “Sangue & Chocolate” uma tentativa pífia de inovação, lembrando de que Ehren Kruger inspirou-se num famoso best-seller de romance entre lobisomens em tempos modernos. Desconhecida, a diretora alemã Katja von Garnier confere autenticidade ao não optar por muitos efeitos especiais nas transformações de suas bestas feras e nos sublimes cenários que utiliza para compor a sua adaptação, mas a realização não é nada agradável.

A esforçada Agnes Bruckner (jovem atriz que se destacou no independente “Um Certo Carro Azul”) é submetida a mais uma barca furada, não encontrando muitos meios de comprovar a sua capacidade como intérprete. O pequeno brilho do elenco foca-se somente a ela. Nomes familiares como dos atores Hugh Dancy e Olivier Martinez encabeçam o rol de coadjuvantes inexpressivos. Na história, Vivian dedica-se nos períodos diurnos a uma pequena e produtiva loja de chocolates. À noite, evita a tentação de arrancar sangue de meros mortais. Um tanto em vão, pois seu primo Rafe com seus aliados atacam impiedosamente as mulheres estonteantes que perambulam pelas ruas estreitas em segredo, pois é membro de uma sagrada fraternidade que proíbe tais liberdades. Sua vida pacata, mas perigosa, ganha novos contornos com a chegada de Aiden, homem da mesma faixa etária que demonstra uma pequena obsessão por contos e desenhos de lobisomens. Daí surge o elo entre o humano e a fera.

Mesmo contando com o mesmo autor dos roteiros excepcionais de “O Chamado” e “A Chave Mestra”, além da mina de ouro nas mãos (no caso, o best-seller), “Sangue & Chocolate” não muda a fórmula de praxe. Não consegue transmitir pavor ou tensão, pois é o mínimo que se exija ao assistir um filme do gênero na tela grande, não? Os fanáticos pelas criaturas noturnas não devem apreciar a falta de novidades.

Título Original: Blood and Chocolate
Ano de Produção: 2007
Direção: Katja von Garnier
Elenco: Agnes Bruckner, Hugh Dancy, Olivier Martinez, Katja Riemann, Bryan Dick, Chris Geere e Tom Harper.
Nota: 3.0

Turistas

15/04/2007

Turistas
A maioria dos lixos cinematográficos do gênero horror e suspense se tratam basicamente de refilmagens de clássicos ruins (como “A Casa dos Maus Espíritos” e “A Bruma Assassina”, que inspirou, respectivamente, “A Casa na Colina” e “A Névoa”) e aquelas fitas vexaminosas descartadas diretamente ao mercado de vídeo. “Turistas” enquadra-se no segundo perfil deste abismo, mas trás de um ou outro achado que não o torna ruim como o esperado.

A atriz principal é Melissa George (que vem conferindo desenvoltura como intérprete no gênero) e todo o projeto é orquestrado por John Stockwell, responsável pelo regular “Mergulho Radical”. Ele demonstra ser um mestre-cuca nas sequências subaquáticas, filmando com beleza e tensão sufocante. Pena que a história de turistas que após acidente de ônibus em viagem de verão para o Brasil envolvem-se com quadrilha que trabalha com tráfico de órgãos não tenha competência suficiente para justificar tanta polêmica.

Como curiosidade, os produtores de “Turistas” iriam filmar e concentrar o roteiro apenas em locações da Guatemala, mas a violência de fatos do nosso país são tão expressivos que resolveram e desenvolveram toda a ação somente por aqui. Seria essa a imagem que exportamos para fora, ou os turistas americanos já estão acostumados com nossa rotina através dos passeios turísticos? De qualquer maneira, o filme diverte sadicamente com o mórbido argumento.

Título Original: Turistas
Ano de Produção: 2006
Direção: John Stockwell
Elenco: Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde, Desmond Askew, Beau Garrett, Max Brown, Agles Steib e Miguel Lunardi.
Nota: 5.5

A Grande Família - O Filme
Muitas vezes ao comparecer a uma sala de cinema para assistir uma atração adaptada de algum conceito original, me pergunto ao término da sessão “Era necessário que tal material fosse transportado para as telas?”. Refiz esta pergunta, e agora com “A Grande Família – O Filme”, que é a transposição para a tela grande do cotidiano nada comum de uma família que rendeu muitos pontos de audiência na emissora Globo. Se na tela pequena assistíamos a um retrato bem-humorado e sem pretensões de revolucionar o humor televisivo (o que resultou na melhor série global dos últimos tempos), nos cinemas é jogado um argumento que rende boas risadas de início, mas que decepciona pela repetição.

A produção apresenta-se como mistura de “Efeito Borboleta” com “Corra, Lola, Corra”, pois Lineu (Marco Nanini) encontra-se consigo mesmo no ato de um acidente que resumirá a sua vida. O recorte dos dois filmes internacionais é aplicado quando ele consegue retornar ao passado para tentar dar novo rumo a sua vida, só que com cada interferência que ele aplica no seu cotidiano faz com que muitas coisas sejam alteradas drasticamente ou em movimentos opostos. Os restantes dos personagens também já nos são familiares: a matriarca Nenê (Marieta Severo), sua amiga e vizinha Marilda (Andréa Beltrão), seus filhos Tuco (Lúcio Mauro Filho) e Bebel (Guta Stresser) e seu genro oportunista e salafrário Agostinho (Pedro Cardoso). Para complicar ainda mais o dia-a-dia da família, surge Carlinhos (Paulo Betti), uma antiga paquera de Nenê e Marina (Dira Paes), nova funcionária do setor onde Lineu trabalha.

Só de ler a sinopse percebemos que grandes confusões estão por vir, mas essa desavença concentra-se no roteiro um tanto original, mas cansativo. Como TV e Cinema são mundos que andam paralelamente, mas que exigem grandes mudanças quando são separados, os roteiristas Cláudio Paiva e Guel Arraes não foram felizes na escolha de qual história contar na tela e no tempo ampliado. Quando Lineu retorna para o passado pela primeira vez, tudo se desenvolve perfeitamente, mas quando a sequência é repetida por uma segunda e depois terceira vez, já estamos cientes de quais atos e ações estão por surgir. Essa previsibilidade unida com o manjado moralismo de família feliz acabam totalmente com o espírito da série e seus personagens, aclamados pelas resoluções que não se preocupam em transmitir alguma espécie de mensagem edificante para o público, além da simplicidade que eles vivem as suas vidas incomuns, mas similares como as que vivenciamos com a nossa própria família.

Título Original: A Grande Família – O Filme
Ano de Produção: 2007
Direção: Maurício Farias
Elenco: Marco Nanini, Marieta Severo, Andréa Beltrão, Paulo Betti, Pedro Cardoso, Bia Junqueira, Lúcio Mauro Filho, Marcos Oliveira, Dira Paes, Tonico Pereira e Guta Stresser.
Nota: 5.0