Bobby

22/07/2007

Bobby
Faltavam poucos passos para Emilio Estevez encerrar “Bobby”, drama que une dezenas de personagens em hotel que serviu como cenário para o brutal assassinato de Robert Francis Kennedy, até que chegou a determinado ponto onde a importância da realização estava direcionada mais aos nomes de peso no elenco do que a encenação do infortúnio ocasionado na noite do dia 5 de Junho de 1968. Felizmente, todos colaboram em evitar a busca pelo brilho individual, preferindo interpretar com muita emoção, enquanto Estevez surpreende com toda a sensibilidade e genialidade nos instantes finais do seu projeto que demorou anos para ser concluído e entregue para todo o mundo, onde ele opta por captar todo o “sismo humano” do que investigar com afinco os mistérios que ficaram no ar.

Mesmo que o palestino Sirhan Bishara Sirhan tenha sido capturado naquela mesma noite nos arredores do refeitório do luxuoso Hotel de Los Angeles Ambassador, ainda questiona-se a respeito da possibilidade de ter sido arquitetado uma conspiração, possivelmente a mesma que matou o irmão e companheiro político do senador Bobby, John Francis Kennedy. Neste cenário que Estevez revive, somos apresentados dos hóspedes aos funcionários. Paralelamente, trechos verídicos de Robert Kennedy mostrando as suas propostas aos cidadães americanos são passados ao longo da projeção. No tranquilo cotidiano daquele edifício, temos Cooper (Shia LaBeouf) representando a fase adolescente rebelde daquela época onde busca junto com um amigo o fornecedor de drogas Fisher (Ashton Kutcher) para fazer uma “viagem alucinante”. Também temos a opulenta Samantha (Helen Hunt) que acredita na possibilidade de que os trajes de grife podem corresponder as suas convicções. Paul (William H. Macy) é um dos gerentes do local, que mantêm um caso às escondidas com a telefonista Angela (Heather Graham), também ocultando certo envolvimento com a cabeleireira Miriam (Sharon Stone). De tantos personagens ainda temos Tim (Estevez) que vive à sombra do sucesso da sua mulher desequilibrada Virginia (Demi Moore) e Diane (Lindsay Lohan), que deseja se casar com William (Elijah Wood) para que este não seja selecionado para a guerra no Vietnã, mesmo que a paixão entre ambos pareça não existir.

A princípio, deduzimos que o excesso de personagens com tantas histórias não serão bem costuradas ao final do filme, até mesmo por estas demonstrem ser fracas. E é exatamente aqui que encontramos a maior das muitas virtudes de “Bobby” onde, independente de credo ou classe social, são seres humanos errantes e que tem o livre direto de redenção, fazendo com que cada ação e diálogo, por mais singelo que seja, seja compreendido pelo público. Robert Kennedy se elegeu a presidência com o intento de lutar pela igualdade e pelos direitos civis dos negros na sociedade americana, além de acompanhar as eleições mostrando propostas contra a guerra no Vietnã (onde podemos notar todo o desespero e insatisfação de diversos soldados em filmes como “Platoon” e “Pecados de Guerra”). Como nunca, a população acreditou em Kennedy, mas viram a esperança de dias melhores se destruírem através do homicídio daquela noite. Mesmo que ocorrido há quase quarenta anos, os acontecimentos de “Bobby” está unido a nossa atualidade como nunca poderia estar, assim como a declaração passada no filme em sequência desesperadora que mesclam as filmagens do diretor juntamente com os vídeos reais do momento dos disparos. Ou seria mentira de que, mesmo com toda a violência, preconceito e pobreza, precisamos nos unir com todas as forças para viver em harmonia?

Título Original: Bobby
Ano de Produção: 2006
Direção: Emilio Estevez
Elenco: Harry Belafonte, Joy Bryant, Nick Cannon, Emilio Estevez, Laurence Fishburne, Brian Geraghty, Heather Graham, Anthony Hopkins, Helen Hunt, Joshua Jackson, David Krumholtz, Ashton Kutcher, Shia LaBeouf, Lindsay Lohan, William H. Macy, Svetlana Metkina, Demi Moore, Freddy Rodríguez, Martin Sheen, Christian Slater, Sharon Stone, Jacob Vargas, Mary Elizabeth Winstead e Elijah Wood.
Nota: 8.0

Almas Gêmeas

21/07/2007

NINGUÉM PODE SEPARAR AQUILO QUE NASCEU PARA FICAR UNIDO
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A aguardada refilmagem de um dos melhores filmes de Brian De Palma, “As Irmãs Diabólicas”, chega ao Brasil com uma excelente notícia e duas totalmente desastrosas. A positiva é de que o “Sisters” de 2006 já tem data de lançamento pela Swen Filmes: será dia 08 de Agosto deste ano, que fará o público brasileiro conferir a produção com grande antecedência. Como tudo que é bom vem acompanhado por algumas infelizes novidades, o lançamento será visto na tela pequena. Isso mesmo. Aos que pensavam ver o trabalho do mestre De Palma atualizado para a nova geração na tela grande bem confortável na poltrona com pipoca e refrigerante, terão de improvisar no próprio lar e correr para reservar o filme na vídeo-locadora. E não é só isso. Enquanto o título internacional confirma o mesmo nome do original de 1973, fazendo com que o inédito filme com Nicole Kidman fosse alterado para “Margot at the Wedding”, aqui somos assombrados com o repetitivo e horrendo “Almas Gêmeas”. Não faz mal, pois a nossa querida atriz Chloë Sevigny nos revela a experiência de participar no filme no trecho logo abaixo, em declaração exclusiva para o site Almanaque Virtual.
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“O remake foi produzido por Ed Pressman, que produziu o original e nós temos a trilha sonora original. Atuam eu e Lou Doillon, que é a filha de Jane Birkin. Ela faz o papel de Margot Kidder. Stephen Rea faz a parte do cientista maluco e eu sou a jornalista (Grace). É bem fiel ao original. Ainda não vi o produto final mas ouvi dizer que parece que foi feito nos anos 70 e que os fãs de horror vão gostar muito. O diretor, Douglas Buck, já dirigiu três curtas chamados “The Family Portraits” e eles foram ATERRORIZANTES, então eu acho que vai ser muito bom. E é bem violento também. Infelizmente foi gravado com orçamento pequeno então alguns dos efeitos especiais não ficaram tão bons quanto Douglas gostaria que ficassem, mas nós vamos ver…”
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Se a memória não está colaborando para a lembrança, ou se o acesso ao filme é restrito a você, nada melhor do que falar sobre o enredo, que possui trechos inspirados explicitamente em “Janela Indiscreta”, “Psicose’ e “O Bebê de Rosemary”, que nos mostra a intrigante investigação de Grace Collier (Jennifer Salt), jornalista que espia apartamento vizinho no exato momento que Phillip Woode (Lisle Wilson) está sendo brutalmente assassinado. Neste mesmo instante, vemos uma mulher dando inúmeras facadas na pobre vítima. É ninguém menos do que a irmã gêmea de dúbio temperamento de Danielle (ambas interpretadas por Margot Kidder) – esta junto ao seu ex-namorado e estranho cientista (Willian Finley), escondem o cadáver dentro de um sofá, enquanto Grace relata todo o ocorrido com urgência a polícia. A história, da autoria do diretor Brian De Palma, foi desenvolvida através do fato verídico de irmãs siamesas que, após separadas, desenvolvem personalidades distintas, mas não se trata de uma adaptação da polêmica cirurgia. A trilha sonora ficou a cargo de Bernard Hermann. Lançado em DVD pela Continental, o filme pode ser encontrado em lojas especializadas no ramo de vendas de filmes ou no próprio site da distribuidora. Veja trailer de “Almas Gêmeas” com legendas em português clicando aqui.

Hannibal - A Origem do Mal
Quando um personagem é construído e logo adquire uma imediata popularidade, os planos de construir novas histórias para o mesmo indivíduo também são instantâneos. Não é somente no cinema contemporâneo que cria-se certo fascínio em desvendar os primeiros passos de uma figura enigmática ou até mesmo seu possível destino. Em “O Exorcista 2 – O Herege” tivemos a conclusão de uma batalha psicológica de Regan (Linda Blair) contra o espírito maligno de Pazuzu iniciado por uma ótica mais explícita por Willian Friedkin. O mesmo poderoso demônio teve suas origens narradas em “Dominion: Prequel To The Exorcist” (produção ainda inédita em nosso país e que deve permanecer neste estado por um longo tempo) e na sua refilmagem dirigida por Renny Harlin, “O Exorcista – O Início”. O mesmo podemos dizer das três continuações de “Psicose” e no recente prequel “Hannibal – A Origem do Mal”. Existem dois caminhos opostos de avaliação para o quinto filme que “ressuscita” nosso canibal predileto. No negativo, vemos um filme desnecessário, que não alcança a potência das outras histórias de Hannibal Lecter e que caíra no fácil esquecimento. Positivamente, Peter Webber (do espetacular “Moça com Brinco de Pérola”) cria cenários e personagens elegantes que combinam com a personalidade de Lecter, além do acerto de selecionar o pouco conhecido Gaspard Ulliel, pois haveria descuidos se interpretado por um ator celebrado. Assim, poderíamos aplicar o termo “ame ou odeie” – basta evitar comparações entre o ator francês de “Eterno Amor” com o veterano Anthony Hopkins para que a experiência não resulte negativa.

Antes de ser corrompido pela crueldade, Hannibal vivia feliz com sua rica família, especialmente quando acompanhado por sua irmã mais nova chamada Mischa (Helena Lia Tachovska). Ocorre uma inversão de acontecimentos quando é jogado em cena os horrores do Holocausto, tendo que sobreviver sozinho com sua irmã quando o restante de sua família é morta a despeito de um acidente no meio da floresta em inverno rigoroso. Durante dias ambos ficaram hospedados às escondidas numa velha casa de madeira, até que são surpreendidos por um grupo de nazistas famintos, liderado por Grutas (Rhys Ifans). Não tarda muito transformar as indefesas crianças em aperitivo, mas somente Hannibal sai ileso do destino que o condenava. Anos depois já se encontrava seguro num orfanato, mesmo que insatisfeito pela situação que estava. Suas motivações iniciam deste ponto, onde nada mais importa do que aniquilar a todos que foram responsáveis pela morte de Mischa. Ele não tinha ferramentas necessárias em mãos para detectá-los, mas as faces de seus futuros alvos sempre esteve armazenado em sua memória. Seu desejo de vingança torna-se ainda mais forte quando refugia-se na mansão de sua tia Lady Murasaki (Gong Li, sempre perfeita), onde será o apoio para o desenvolvimento de seu formalismo e sabedoria.

Existem erros em “Hannibal – A Origem do Mal” a partir do instante onde Murasaki transforma Hannibal em seu aprendiz, fazendo com que o despertar inicial de sua fúria seja caricato, ou até mesmo no roteiro de Thomas Harris (autor de todos os livros do personagem) que insiste em recorrer a dispensáveis flashbacks que assombram sua criação. Porém, vem bons acertos sendo alguns protagonizados pelo próprio Gaspard Ulliel. Se ele não consegue repetir as fisionomias marcantes de Hopkins ao longo do filme, ao menos executa um trabalho digno de seu personagem. Este começo seria evocado rapidamente ou tardiamente, mas cumpriria seu papel perfeitamente se não estivesse relacionado a Hannibal Lecter, e sim a outra criação. Nada que torne o melhor passatempo dos últimos tempos ou uma das piores produções já concebidas. É bom vê-lo novamente, mas é fundamental que tudo acabe definitivamente por aqui.

Título Orignal: Hannibal Rising
Ano de Produção: 2007
Direção: Peter Webber
Elenco: Gaspard Ulliel, Gong Li, Rhys Ifans, Aaran Thomas, Helena-Lia Tachovská, Richard Leaf, Richard Brake, Kevin McKidd, Ivan Marevich, Charles Maquignon e Dominic West.
Nota: 6.0

Natal Negro

14/07/2007

Natal Negro
O que aconteceu com Glen Morgan? Cineasta talentoso e amigo de James Wong, tornou a refilmagem de “Willard” numa grande surpresa e agora nos entrega uma ingrata versão atualizada de “A Noite do Terror”. Se em “A Vingança de Willard” (produção estrelada pelo sinistro Crispin Glover) ele soube equilibrar com maestria a melancolia de seu personagem em união com o horripilante relacionado a presença de inúmeros roedores, neste “Natal Negro” ele tropeça em todas as fraquezas do teen horror, alternativa que ele infelizmente optou para garantia de público.

Nada é divertido neste conto de massacre juvenil, que narra o tédio de fraternidade feminina na véspera do natal. Reza a lenda de que na própria residência onde estão hospedadas morava uma família composta por um casal e um filho. Descoberto adultério da matriarca, esta unida com amante mata seu próprio marido, enquanto o menor chamado Billy (na infância interpretado por Cainan Wiebe), que herdou uma pele amarelada por causa de rara doença no fígado, esconda-se nos cômodos inabitados do local. Nasce do traumatizante homicídio o desejo de vingança e a obsessão em matar indivíduos indefesos. Recluso num presidiário, Billy (agora interpretado por Robert Mann) consegue com muito sucesso retornar para seu doce lar, onde já estamos cientes do que vai ocorrer. Katie Cassidy (“Quando Um Estranho Chama”), Michelle Trachtenberg (“Sonhos no Gelo”) e Mary Elizabeth Winstead (“À Prova de Morte”) são uma das mocinhas. A veterana Andrea Martin, que esteve na versão original de 1974, ganha destaque na refilmagem.

Bobagem é pouco para definir uma produção tão constrangedora, onde sustos são trocados rapidamente por involuntárias gargalhadas, especialmente nas cenas atrozes onde as pobres garotas são sujeitas a perder os dois olhos para futuros enfeites natalinos. Talvez “Natal Negro” surgiu com o intento de mudar toda essa rotina que os americanos não cansam de organizar nas festas das datas comemorativas do fim de cada ano, com sadismo e graça. Mas cinema de horror é algo sério demais para que filmes de fracas pretensões sejam relevantes. Ao menos com a estréia futura nas telas brasileiras de “Natal Negro”, que foi adiada inúmeras vezes, alguma distribuidora deva se interessar em lançar a produção original de 1973 no formato DVD.

Título Original: Black Christmas
Ano de Produção: 2006
Direção: Glen Morgan
Elenco: Katie Cassidy, Michelle Trachtenberg, Kristen Cloke, Mary Elizabeth Winstead, Lacey Chabert, Andrea Martin, Crystal Lowe, Oliver Hudson, Karin Konoval e Cainan Wiebe.
Nota: 1.5

Um Peixe Chamado Wanda

01. Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, 1988.)
02. Extermínio 2 (28 Weeks Later, 2007)
03. Confidencial (Infamous, 2006)
04. Segredos na Noite (The Night Listener, 2006)


05. O Segredo (The Secret, 2006)
06. A Força das Palavras (Emile, 2003)
07. Carne Trêmula (Carne Trémula, 1997)
08. A Conspiração (The Contender, 2000)
09. Memórias de Uma Gueixa (Memories Of A Geisha, 2005)
10. Monty Python – Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975)


11. Os Mensageiros (The Messengers, 2007)
12. O Massacre da Serra Elétrica – O Início (Texas Chainsaw Massacre: The Beginning, 2006)
13. A Casa de Vidro 2 (Glass Houses: The Good Mother, 2006)
14. Submundo (Edmond, 2005)


15. Premonições (Premonition, 2007)
16. Pecados Ardentes (Young Adam, 2003)


17. Natal Negro (Black Christmas, 2006)
18. Eu Sempre Saberei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (I’ll Always Know What You Did Last Summer, 2006)

Satisfação: 54%