Alpha Dog
19/08/2007

Em seus trabalhos mais recentes, Nick Cassavetes (filho de John Cassavetes e Gena Rowlands) soube empregar com profundeza diversos atos que pode ser relacionado ao amor. Os riscos que um pai corre pela vida de seu próprio filho foi encenada em “Um Ato de Coragem” e o início e fim da afeição que um casal tem um pelo outro ultrapassando barreiras do tempo em “Diário de Uma Paixão”. Em “Alpha Dog” (título/expressão que significa “macho dominante” – o filhote mais esperto e imitado de uma ninhada de cães), Cassavetes nos assusta ao contar um retrato verdadeiro de uma juventude rebelde movida por acerto de contas, tráfico de drogas e todos os atos atrozes que compõem a violência. Contudo, frustra pelo modo que conduz este quadro que se afasta em diversos momentos de seu propósito principal, onde atos inconseqüentes dos menores pode ser o reflexo da falta de responsabilidade dos maiores ou, melhor, dos próprios pais.
Criando com fidelidade o trágico destino de Nicholas Markowitz, mesmo inserindo perceptíveis rumos que nada deve haver com o ocorrido e a mudança dos nomes dos personagens em ação, é narrado o conflito de Jake Mazursky (Ben Foster, de “X: Men – O Confronto Final”) com o badalado traficante de segunda Johnny Truelove (Emile Hirsch, de “O Clube do Imperador”), já que o primeiro deve uma quantia considerável para o até então amigo. Tudo ferve ainda mais quando Zack (Anton Yelchin, de “Sociedade Feroz”), irmão de Jack, é seqüestrado com premeditação. O estado de pânico logo é substituído por eufolia recorrente às festas ininterruptas acompanhadas de belas garotas que flertam com qualquer rapaz e muitas drogas e bebidas. Apesar de não haver risco aparente para o sequestrado, Truelove não descarta a possibilidade de matar sua vítima, temendo ser apanhado pela polícia.
Fora das telas, onde tudo correu tragicamente da mesma forma, o então Jesse James Hollywood foi acampado pela Interpol em Saquarema, no Rio de Janeiro em 8 de março de 2005, aguardando julgamento até o momento em presídio localizado na Califórnia. Com um forte material em mãos, Cassaventes não consegue impor impacto. Outro motivo que incomoda são alguns atores e atrizes inaptos ao incorporar seus devidos personagens (Ben Foster pouco convence como o irmão desequilibrado e Hirsch não iguala o brilho de seus ótimos desempenhos anteriores) e a rebeldia desenfreada. Antes de terminar a decepção, entretanto, “Alpha Dog” consegue alcançar um ponto angustiante vindo o destino de Zack e especialmente quando Sharon Stone ganha um espaço suficiente para provar por mais uma vez a excelente atriz que se esconde atrás da exuberante beleza. O estado tocante de tristeza que consegue representar é o que há de mais crível em todo o filme.
Título Original: Alpha Dog
Ano de Produção: 2006
Direção: Nick Cassavetes
Elenco: Emile Hirsch, Anton Yelchin, Justin Timberlake, Ben Foster, Olivia Wilde, Dominique Swain, Sharon Stone e Bruce Willis.
Nota: 5.5
Fechamento do Mês (Julho)
09/08/2007


Hannibal, de Ridley Scott (idem, 2001)*
Louca Obsessão, de Rob Reiner (Misery, 1990) *
Entre Quatro Paredes, de Todd Field (In the Bedroom, 2001) *
.

O Último Portal, de Roman Polanski (The Ninth Gate, 1999) *
A Morte e a Donzela, de Roman Polanski (Death and the Maiden, 1994)
O Diário de Bridget Jones, de Sharon Maguire (Bridget Jones’s Diary, 2001) *
Pecados Íntimos, de Todd Field (Little Children, 2006) *
Robocop – O Policial do Futuro, de Paul Verhoeven (RoboCop, 1987)
O Reverso da Fortuna, de Barbet Schroeder (Reversal of Fortune, 1990)
O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, de Joel Schumacher (St. Elmo’s Fire, 1985)
Sexta-feira Muito Louca, de Mark S. Waters (Freaky Friday, 2003) *
.

Harry Potter e a Ordem da Fênix, de David Yates (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007)
Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho, de Bill Condon (Dreamgirls, 2006)
Garotos Incríveis, de Curtis Henson (Wonder Boys, 2000)
O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein (idem, 2004)
Proposta Indecente, de Adrian Lyne (Indecent Proposal, 1993)
Será que Ele É?, de Frank Oz (In & Out, 1997) *
Letra e Música, de Marc Lawrence (Music and Lyrics, 2007)*
Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster (Stranger than Fiction, 2006)
Um Copo de Cólera, de Aluízio Abranches (idem, 1999)
Touro Indomável, de Martin Scorsese (Raging Bull, 1980)
A Volta dos Bravos, de Irwin Winkler (Home of the Brave, 2006)
A Noite dos Mortos Bobos, de Mathias Dinter (Die Nacht der Lebenden Loser, 2004)
Segredos do Poder, de Mike Nichols (Primary Colors, 1998.)
Amor sem Fim, de Franco Zeffirelli (Endless Love, 1981)
Quem é Morto Sempre Aparece, de Mark Mylod (The Big White, 2005)
Temos Vagas, de Nimród Antal (Vacancy, 2007)
Duro de Matar 2, de Renny Harlin (Die Hard 2, 1990)
À Beira da Loucura, de John Carpenter (In the Mouth of Madness, 1995)
Ferocidade Máxima, de Fred Schepisi e Robert Young (Fierce Creatures, 1996)
IT – Uma Obra Prima do Medo, de Tommy Lee Wallace (It, 1990)
O Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter (The Thing, 1982)
.

O Marido Ideal, de Oliver Parker (An Ideal Husband, 1999)
O Efeito Dominó, de David Koepp (The Trigger Effect, 1996)
Jade, de William Friedkin (idem, 1995)
Regras do Jogo, de William Friedkin (Rules of Engagement, 2000)
O Sedutor, de John Duigan (The Leading Man, 1996)
Todas Contra John, de Betty Thomas (John Tucker Must Die, 2006)
Coath Carter – Treino Para a Vida, de Thomas Carter (Coach Carter, 2005)
Em Algum Lugar do Passado, de Jeannot Szwarc (Somewhere in Time, 1980)
.

Sexta Feira 13 Parte VIII – Jason Ataca Nova York, de Rob Hedden (Friday The 13th – Part 8 – Jason Takes Manhattan, 1989)
O Pacto, de Renny Harlin (The Covenant, 2006)
Gemidos de Prazer, de Christopher Crowe (Whispers in the Dark, 1992)
Eternamente Jovem, de Steve Miner (Forever Young, 1992)
S.O.S. do Amor, de Randal Kleiser (Lovewrecked, 2005)
.

American Pie – O Último Stifler Virgem, de Joe Nussbaum (American Pie 5: The Naked Mile, 2006)
.
Satisfação: 64%
*Filmes revistos
As Férias de Mr. Bean
05/08/2007

No meio de tantas variedades, o cinema ainda nos deve mais entretenimento que saiba lidar com a moderação de inocência ou ingenuidade com as precauções necessárias. Se esta pureza é presente em muitos clássicos, na atualidade a mistura dessas emoções estão raras. É o que basta para definir o divertidíssimo “As Férias de Mr. Bean”, anunciado como última caracterização de Rowan Atkinson com o personagem que o revelou para o mundo. A produção é inofensiva e Bean é cândido em todos os seus atos. Todavia, existe a preocupação na construção da aventura e toda a dedicação do elenco em personagens que exigem um enorme carisma. Se o roteiro é singelo ao extremo, todo o percurso andado até os últimos minutos da projeção foi construído na base de muita criatividade com descontração sempre presente. Por isto, não é tremendo exagero as comparações dos fãs entre Bean e o comediante Charles Chaplin: mostrada as devidas semelhanças, ambos ganharam fama pelas qualidades citadas nas linhas anteriores da resenha. Mesmo que seja garantia para a satisfação do público de todas as idades, a parcela que prefere optar pelo humor escrachado ou inovador não deve aguardar com muitas expectativas.
Após ganhar passaporte para viajar para França em uma promoção, Bean organiza as bagagens é logo sonha em repousar nos maravilhosos pontos turísticos do país. Como o esperado, o sujeito não embarca rumo ao seu destino da melhor forma pois sem muitas opções um garoto chamado Stepan (Max Baldry) fica aos seus cuidados, pois separou-se de seu pai (Karel Roden) após um hilariante descuido. As boas intenções do herói não funcionam muito, envolvendo-se até mesmo no badalado festival de Cannes, com a atriz pouco experiente Sabine (a carismática Emma de Caunes, presente no filme “Sonhando Acordado”) e com o egocêntrico cineasta Carson Clay (Willem Dafoe).Em 1997 o personagem já ganhou as telonas mas o resultando não foi tão bem-sucedido, mesmo que o filme seja engraçadíssimo. As imperfeições ocorreram por dois descuidos que não foram de grande dano, mas que incomodaram drasticamente.
A primeira foi por seu parceiro em cena interpretado pelo ator Peter MacNicol, que comprometia pela falta de talento e o tom de voz excessivamente esganiçada. Adiante, o acréscimo desnecessário de falas para o personagem usado em muitas sequências, pois um dos fatos que elevaram a fama de Mr. Bean foi a celebração ao humor mudo. Os deslizes não são repetidos no novo “As Férias de Mr. Bean”, tornando-se o melhor filme do gênero neste ano de boas produções. Se você é fã incondicional do personagem, vai adorar suas novas confusões. Se você não apreciava os quadros cômicos exibidos tempos atrás de TV Aberta protagonizados por Bean, dê uma chance a ele. É sua despedida definitiva. E o renascimento de uma esplendorosa inocência que poucos tem o esmero para criar.
Título Original: Mr. Bean’s Holiday
Ano de Produção: 2007
Direção: Steve Bendelack
Elenco: Rowan Atkinson, Emma de Caunes, Max Baldry, Karel Roden e Willem Dafoe.
Nota: 8.0
Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.









