Homem-Aranha 3

23/09/2007

Homem-Aranha 3
Com o orçamento estimado de 240 Milhões de Dólares – que o torna a produção mais custosa da história do cinema, somando ainda os valores de marketing – era de se esperar um filme grandioso nesta terceira aventura do jovem Peter Parker. Mas se as duas fitas anteriores rodadas em 2002 e 2004 não agradaram a uma pequena minoria do público (sim, me incluo nela), nada se pode esperar de “Homem-Aranha 3″, onde nem os fãs mais fervorosos se entrosaram tanto. Não existe técnica impressionante e uma aceitável concepção dos três vilões. Falando em vilões, já até notamos em cena a falta de disposição no cineasta Sam Raimi, que despreza a todo custo o simbionte alienígena Venom, mas obrigado pelo estúdio a introduzí-lo neste capítulo. É mais um produto ruim que se une a tantos outros títulos deste novo gênero de Hollywood inaugurado com força total pela produtora Marvel Comics.
 
Adaptado dos quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko, as ilustrações de “Homem-Aranha” mostrava aos leitores o surgimento de inúmeras responsabilidades quando um desajeitado rapaz adquire os poderes após ser picado por uma aranha exposta a radioatividade, mesmo com habilidades que o tornava uma pessoa mais segura. Em “Homem-Aranha 3″, o herói (interpretado por Tobey Maguire, de “O Segredo de Berlim”) já é idolatrado pelo público e tudo na vida de Peter Parker está em total controle. Obviamente, novas ameaças só podem ser combatidas com a sua bondade, mas nada é tão fácil. Primeiro temos o bandido foragido Flint Marko, transformado no Homem de Areia (Thomas Haden Church, de “Sideways – Entre Umas e Outras”) o real culpado pela morte do tio Ben. Também vemos a obstinação de Harry Osborn (James Franco, de “Flyboys”) em aniquilar o Homem-Aranha, já sabendo que por trás da máscara está a face de Peter Parker, a pessoa que acredita ter assassinado seu pai. Por último, Eddie Brock (Topher Grace, de “Segunda Chance”) é quem se renderá a face negra como Venom. Já as crises pessoais surgem novamente quando Mary Jane Watson (Kirsten Dunst, de “Maria Antonieta”) desconfia de que seu possível futuro marido está se envolvendo com Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard, de “Manderlay”).
É claro que tantas camadas de personagens só ganham interesse na leitura, pois na ação o desastre é confirmado. Se a presença de Harry Osborn dá um brilho surpreendente na produção, a qualidade não consegue apagar, por exemplo, como Gwen Stacy é jogada a esmo na premissa, já que nos quadrinhos é uma garota totalmente relevante a vida de Parker, eternizada como sua primeira namorada, além das posturas tolas que os realizadores insistem em impor no decorrer dos acontecimentos (ninguém consegue me fazer engolir a sequência constrangedora onde Parker desfila dançando pelas lojas e calçadas de Nova York, usando a roupagem de um autêntico Emocore). Quando o clímax ganha sustento, novamente a platéia é vítima de uma insuportável tortura audiovisual, tentando nos fazer acreditar de que todo aquele perigo de confrontos é verdadeiramente emocionante. Assim, diretor e roteirista, Sam Raimi e Avil Sargent (responsável pelo bom script de “Infidelidade”), ainda preocupam-se demais em desenvolver uma personalidade de um herói que já se caracterizou roubando tempo e paciência, deixando novamente a ação quase como pano de fundo. Lamentável é ver que ambos perdem as de si próprios ao fazerem do que podemos apelidar de aberração em celulóide. Poupe-nos de uma nova continuação, por favor.

Título Original: Spider-Man 3
Ano de Produção: 2007
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard, James Cromwell, Theresa Russell, Ted Raimi, J.K. Simmons, Rosemary Harris e Elizabeth Banks.
Nota: 4.0

 
Flashdance
Just a steel town girl on a saturday night
Lookin’ for the fight of her life
In the real-time world no one sees her at all
They all say she’s crazy
.
Locking rhythms to the beat of her heart
Changing woman into life
She has danced into the danger zone
When a dancer becomes a dance
.
It can cut you like a knife, if the gift becomes thefire
On a wire between will and what will be
.
She’s a maniac, maniac on the floor
And she’s dancing like she’s never danced before
She’s a maniac, maniac on the floor
And she’s dancing like she’s never danced before
.
On the ice-build iron sanity is a place most never see
It’s a hard warm place of mystery,
touch it, but can’t hold it
You work all your life for that moment in time,
it could come or pass you by
It’s a push of the world, but there’s always a chance
If the hunger stays the night
.
There’s a cold connective heat, struggling,
stretching for defeat
Never stopping with her head against the wind
.
She’s a maniac, maniac, I sure know
And she’s dancing like she’s never danced before
She’s a maniac, maniac, I sure know
And she’s dancing like she’s never danced before
.
It can cut you like a knife, if the gift becomes thefire
On a wire between will and what will be
.
She’s a maniac, maniac, I sure know
And she’s dancing like she’s never danced before
She’s a maniac, maniac, I sure know
And she’s dancing like she’s never danced before
Maniac, maniac, I sure know
.
Depois de um longo tempo onde todos os blogueiros cinéfilos participaram da corrente literária, venho (atrasado como sempre) com a minha seleção de cinco livros que me forneceram boas horas de distração e informação de uma forma tão mágica que só o mundo das páginas pode fornecer aos seus leitores. Agradeço aos amigos Wally e Gustavo e a amiga Kamila pelo convite em prosseguir com a corrente (que deve acabar por aqui).

O Perfume – História de Um Assassino, de Patrick Süskind: adaptado para os cinemas no ano passado, o livro consegue despertar as mesmas sensações que a adaptação de Tom Tykwer despertou do seu público, com o filme alemão mais caro a ser rodado até o momento. Na história, Jean-Baptiste Grenouille nasce com o dom do olfato apurado. Após ganhar experiência com o perfumista decadente Giuseppe Baldini, Grenouille desperta a obsessão pelo odor das mulheres, tornando-se um serial killer ao tentar criar o perfume mais irresistível já visto.

O Exorcista, de William Peter Blatty: levado a tela grande por Willian Friedkin (que dirigiu recentemente a obra-prima “Possuídos”), o filme conseguiu o feito de ser 100% fiel a sua fonte. O livro também é um item indispensável para os fanáticos por um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Porém, o conto de William Peter Blatty é repleto de parágrafos de alta obscenidade, como o número de palavrões que são falados quando o estado da pequena Regan se torna ainda mais grave.
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Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf : direcionado mais as leitoras, os homens também podem apreciar os relatos da escritora Virginia Woolf. Ela narra experiências pessoais paralelamente ao contar sobre mulheres que foram presas num mundo onde não tinham a liberdade e reconhecimento ao escrever uma história, como a irmã de Willian Sheakespeare. Com o final que nos leva a reflexão, Um Teto Todo Seu talvez seja um dos melhores livros da talentosa escritora.
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O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida: mesmo com as poucas páginas, esta história envolvente da série de livros da série Vaga-lume um suspense como poucos. A história é sobre um estudante que cursa a universidade de medicina chamado Alberto que tenta a todo custo desvendar quem este por trás do cruel assassinato do seu irmão Hugo. Com as investigações, descobre que o assassino tem uma predileção por pessoas ruivas da cidade de Vista Alegre. Os escaravelhos deixados pelo maníaco no local do crime e uma mulher (ruiva) pelo qual Alberto se apaixona é um dos inúmeros elementos que nos releva um final surpreendente.
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Eu, Christiane F. Treze Anos, Drogada e Prostituída…, de Kai Hermann e Horst Rieck: a história mais envolvente e densa que tive o prazer de ler. Numa adolescência conturbada, Christiane fala toda essa fase de sua vida nos mínimos detalhes: como era a sua relação com a família, sua admiração pelo cantor e ator David Bowie, como se envolveu no mundo das drogas, o seu primeiro namorado e a decadência ao vender o seu corpo para conseguir dinheiro para adquirir drogas. Com um material forte em mãos, Uli Edel levou a trajetória real de Christiane para as telas de cinema, numa das piores adaptações de todos os tempos.

O Hospedeiro

16/09/2007

O Hospedeiro
Já no primeiro instante da produção coreana “O Hospedeiro”, estamos cientes do que se formou a bagre gigante que apavora todos os personagens do filme. Trata-se de uma irregularidade vinda do território americano, onde foi descartado pelo ralo produtos altamente tóxicos. O conteúdo circula rios afora até se espalhar nas margens de Seul, capital da Coréia do Sul. Com o passar dos meses, o foco muda quando somos apresentados à família que nos conduzirá até o final. Hie-bong Park (Hie-bong Byeon) é um senhor que mora num minúsculo trailer com seu desleixado filho Gang-Du (Kang-ho Song), que tem uma pequena filha chamada Hyun-seo (Ah-sung Ko). Há ainda mais dois membros da família que são irmãos de Gang-Du: Nam-Joo (Du-na Bae) como a esportista olímpica de arco e flecha e Nam-il (Hae-il Park).

Diretor do famoso filme baseado em fatos reais “Memórias de Um Assassino”, Bong Joon-Ho (que não nega ter se influenciado por algumas produções americanas) consegue entrelaçar com muito talento os diferentes temas que se propôs a contar. Existe, primeiramente, uma habilidosa alfinetada ao império americano, como autor da desgraça que aflige a família Park e todas as pessoas que vivem ao seu redor. Há também humor quando nos envolvemos com o cotidiano desta família peculiar, onde as atrapalhadas de Gang-Du nos faz dar boas gargalhadas. Com tensão, sustos e política, “O Hospedeiro” para de engrenar repentinamente. É quando o mostrengo captura Hyun-seo, aprisionando-a num cativeiro repleto de outras pessoas, “O Hospedeiro” perde as rédeas e se desenvolve andando em círculos – como se o restante que vem depois da meia hora inicial não tivesse mais importância ou impacto. É possível que muitos consigam encontrar genialidade na história, mas a indecisão de que ritmo seguir, se é com descontração ou com mais seriedade, resulta num final (e experiência) um tanto frívolo.

Título Original: Gwoemul/The Host
Ano de Produção: 2006
Direção: Bong Joon-Ho
Elenco: Song Kang-ho, Byeon Hie-bong, Park Hae-il, Bae Du-na, Ko Ah-sung e David Joseph Anselmo.
Nota: 4.5

A Colheita do Mal

09/09/2007

A Colheita do Mal
Acompanhando o Antigo Testamento de Êxodo da Bíblia Sagrada, alguns versículos nos informa sobre as dez pragas bíblicas, que atingiu o Egito. A ordem:
1) Água em sangue – A primeira praga, a transformação do Nilo e de todas as águas do Egito em sangue, causou desonra ao Deus-Nilo, Hápi. A morte dos peixes no Nilo foi também um golpe contra a religião do Egito, pois certas espécies de peixes eram realmente veneradas e até mesmo mumificadas. (Êx 7:19-21)
 
2) Rãs – A rã, tida como símbolo da fertilidade e do conceito egípcio da ressurreição, era considerada sagrada para a Deusa-rã, Heqt. Assim, a praga das rãs trouxe desonra a esta Deusa. (Êx 8:5-14)
 
3) Piolhos – A terceira praga resultou em os sacerdotes-magos reconhecerem a derrota, quando se viram incapazes de transformar o pó em borrachudos, por meio de suas artes secretas. (Êx 8:16-19) Atribuía-se ao Deus Tot a invenção da magia ou das artes secretas, mas nem mesmo este Deus pôde ajudar os sacerdotes-magos a imitar a terceira praga.
 
4) Moscas – A linha de demarcação entre os egípcios e os adoradores do verdadeiro Deus veio a ficar nitidamente traçada da quarta praga em diante. Enquanto enxames de moscões invadiam os lares dos egípcios, os israelitas na terra de Gósen não foram atingidos pela praga (Êx 8:23,24). Deus algum pôde impedí-la,nem mesmo Ptah, “criador do universo”, ou Tot,senhor da magia.
 
5) Peste sobre bois e vacas – A praga seguinte, a pestilência no gado, humilhou deidades tais como a Deusa-vaca, Hator, Ápis e a Deusa-céu, Nut, imaginada como uma vaca, com as estrelas afixadas na sua barriga. (Êx 9:1-6)
6) Feridas sobre os egípcios – A praga dos furúnculos causou desonra aos Deuses e às Deusas considerados como possuindo habilidades curativas, tais como Tot, Ísis e Ptá. (Êx 9:8-11)
 
7) Tempestades de fogo – A forte saraivada envergonhou os Deuses considerados como tendo controle sobre os elementos naturais; por exemplo, Reshpu, o qual, pelo que parece, cria-se que controlava os raios, e Tot, do qual se dizia ter poder sobre a chuva e os trovões. (Êx 9:22-26)
 
8.) Gafanhotos – A praga dos gafanhotos significava uma derrota dos Deuses que, segundo se pensava, garantiam abundante colheita, um destes sendo o Deus da fertilidade, Min, o qual era encarado como protetor das colheitas. (Êx 10:12-15)
 
9) Escuridão total durante 3 dias – Dentre as deidades desonradas pela praga da escuridão achavam-se os Deuses-sol, tais como Rá e Hórus, e também Tot, o Deus da lua, tido como o sistematizador do sol, da lua e das estrelas. — Êx 10:21-23
 
10) Morte de todos os primogênitos inclusive entre os animais dos egípcios – A morte dos primogênitos resultou na maior humilhação para os Deuses e as Deusas egípcios. (Êx 12:12) Os governantes do Egito realmente chamavam a si mesmos de Deuses, filhos de Rá ou Amom-Rá. Afirmava-se que Rá, ou Amom-Rá, tinha relações sexuais com a rainha. O filho nascido era, portanto, considerado como um Deus encarnado e era dedicado a Rá, ou Amom-Rá, no seu templo. Assim, com efeito, a morte do primogênito de Faraó realmente significava a morte de um Deus. (Êx 12:29). Isto já por si só teria sido um duro golpe na religião do Egito, e a completa incapacidade de todas as deidades se evidenciou em serem incapazes de salvar da morte os primogênitos dos egípcios.

Nada mais apropriado do que a indústria cinematográfica abordar o fato bíblico de forma ficcional, onde Katherine Winter (Hilary Swank, cada vez mais bela) passa por uma crise de fé. Justo, pois a própria acredita que Deus lhe abandonou quando sua filha e marido foram dizimados quando ainda era uma missionária. Agora, famosa por ser capaz de provar que nada está ligado ao divino e sim a ciência, ela é convocada por Doug (David Morrissey) para solucionar um mistério na cidade interiorana de Louisiana. Com o auxílio do seu amigo Ben (Idris Elba, que esteve recentemente em “Extermínio 2″), Katherine inicia às primeiras pesquisas num rio onde as próprias águas sofreram mudança de coloração – tornou-se avermelhada. A cidade também está em estado de caos com a presença da enigmática Loren McConnell (AnnaSophia Robb), filha de Andrea Frankle (Maddie McConnell) que todos querem eliminar por ser a possível responsável por todos os eventos sobrenaturais, incluindo a morte do próprio irmão Brody (Mark Lynch).

Com o tema bíblico, o que deu errado em “A Colheita do Mal”? Finalizado desde 2006, a produção sofreu muitos adiamentos, especialmente no Brasil. E, como todos sabemos, isto nunca é um bom sinal. Um ponto negativo é a parte técnica da produção, usando efeitos especiais à demasia, danificando o ritmo da história e o bom clima empregue em diversas situações. Existe também a insistência da produtora Dark Castle em finalizar um projeto (às vezes de maneira patética, como na refilmagem “A Casa na Colina”) dando corda para uma possível sequência que, já sabemos, nunca existirá. O mais preocupante, porém, fica quando somos capazes de nos identificar com o estado delicado de Katherine. Quando iniciamos a reflexão de que somente a fé espiritual é o maior auxiliador em tempos e situações difíceis (apoio mostrado de forma explícita em clássicos como “O Exorcista” e no atual “O Exorcismo de Emily Rose”) numa personagem até então bem delineada, a irregularidade predomina. Dá para encarar num sábado a noite como terror médio, valendo um pouco mais pelo momento antológico da oitava praga bíblica: o ataque impiedoso dos gafanhotos.

Título Original: The Reaping
Ano de Produção: 2007
Direção: .Stephen Hopkins
Elenco: Hilary Swank, David Morrissey, AnnaSophia Robb, Idris Elba, Andrea Frankle e Stephen Rea.

Nota: 5.5

*Textos explicativos referente as dez pragas bíblicas é da autoria do site bibliaonline.net