Possuídos
14/10/2007
É triste constatar o quão pode ser equivocado a divulgação de um longa metragem em nosso país. O título que o novo filme de William Friedkin herdou por aqui, “Possuídos”, tem certa coerência, mas nos passa a impressão de que trabalha com uma premissa totalmente distante da escrita por Tracy Letts. Houve também o apoio da obra máxima do cineasta, o clássico “O Exorcista” – mas, ao contrário do que anuncia, Friedkin conquistou o Oscar por “Operação França”, enquanto “O Exorcista” ficou somente com a vitória de roteiro adaptado e som. Mas ”Bug” não se limita apenas nos elementos do terror/suspense. Temos sim inúmeros sinais que nos remete ao gênero, mas a verdadeira alma da obra é inquestionavelmente dramática. Vendo com expectativas contrárias, tenha certeza de que se decepcionará bastante. Ao contrário, prepare-se para comprovar uma extraordinária esperiência como nunca se viu.A Pele
13/10/2007
Diane Arbus é mais uma profissional que desistiu de viver, mas deixou um trabalho artístico até hoje aclamado, com fotografias consideradas inusitadas na geração ao qual viveu em que se aperfeiçoou como fotógrafa, onde são alvos de referências até o momento. Claro que outra arte, o cinema, não deixaria de nos mostrar a trajetória e de como se libertou esta inspiração. A vida conturbada de Diane é mostrada no ótimo “A Pele”, orquestrado pelo talentoso cineasta Steven Shainberg, o mesmo de “Secretária”. Porém, sugere a proposta de não entregar uma biografia convencional, mas um ponto de vista dos instantes iniciais da sua formação, assim comprovando a autenticidade da produção. É necessário alertar que toda a existência da fotógrafa não é contada, podendo haver decepção para todos que esperam o contrário.Ela é a Poderosa
13/10/2007
O clima nos bastidores de “Ela É a Poderosa” não foram nada amenos, se tratando de um projeto que se propôs a ser comédia. Não se trata da forma equivocada com o qual a produção chegou aos cinemas, e sim pela “estrelinha” rebelde Lindsay Lohan. Pois, sim, a então promissora intérprete de filmes divertidos como “Sexta-feira Muito Louca” e o remake de “Operação Cúpido” caiu nas armadilhas fáceis de uma profissional teen: multas de trânsito, porte de drogas e até mesmo possível tentativa de suicídio. Com tantos escândalos garantindo bom material para a imprensa, a veterana Jane Fonda fica até ofuscada em seu novo retorno – dois são os anos que a afastam de “A Sogra”. Rachel, por sinal, é a personagem que cai como uma luva à Lohan. Audaz e desequilibrada, ela é o pivô de todas as intrigas que conduz a história. Azar da atriz, que fez deste “Ela é a Poderosa” e o suspense juvenil “Eu Sei Quem Me Matou” fracassos, talvez por sua reputação negativa á visão crítica do público.Elenco: Lindsay Lohan, Jane Fonda, Felicity Huffman, Dermot Mulroney, Cary Elwes, Garrett Hedlund e Hector Elizondo.
Quarteto Fantático e o Surfista Prateado
07/10/2007
Entre o ritmo comprometedor, nenhuma performance muito adequada, assim como na direção, reside algo, de fato, interessante nesta seqüência do sucesso de férias de 2005, o “Quarteto Fantástico”. A Segunda adaptação dos modestos quadrinhos criados na década de 60 por Stan Lee e Jack Kirby chama-se “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”. Inevitavelmente, outro sucesso pelo mundo. Heróis vítimas mais da popularidade do que pela ameaça estabelecida, o filme ganha graça quando são notícias de tablóides ou telejornais, o que garante nos primeiros minutos novo fôlego a onda medíocre de adaptações de outras HQs, já que os quatro mutantes expostos à radiação cósmica não recorrem a máscaras ou uniformes circenses para se esconder do público. A fama lhe são bem-vindas.Reed Richards (o Senhor Fantástico de Ioan Fruffud), Susan Storm (a Mulher Invisível de Jessica Alba), Johnny Storm (o Tocha Humano de Chris Evans) e Ben Grimm (o Coisa de Michael Chiklis) se adaptaram muito bem após aceitarem as suas condições de mutantes. Assim, são feitos os preparativos do casamento de Reed e Susan, ainda que o Senhor Fantástico não consiga se concentrar tanto na futura união quando é convocado para criar uma bugiganga ao evitar um desastre por todo o planeta Terra. Não demora muito para desvendar o que está por trás disso. É o Surfista Prateado, que ganha o corpo de Doug Jones (que fez o herói Abe Sapien em “Hellboy”) e a voz de Laurence Fishburne. Mas o verdadeiro mentor do possível plano de “preparar” o nosso planeta para ser absorvido é Galactus – O Devorador de Mundos. Não obstante, há ainda a presença de Dr. Destino, o vilão único do primeiro filme.
É quando o perigo começa a ganhar formas que o filme começa a empacar. Se o Surfista do título garante atenção quando estamos ao ponto de descobrir as suas motivações, o mesmo não se pode dizer dos outros vilões. Não conseguimos temer com a presença de Dr. Destino e muito menos por Galactus, que mais parece um esboço de efeitos especiais caracterizado por uma enorme nuvem cinzenta. Os rumos mais sérios em conteúdos de tal fonte são inevitáveis, mas a pouca inspiração em conduzí-las acaba por comprometer a diversão que rendeu até então.
Fechamento do Mês (Setembro)
06/10/2007


Nunca é Tarde Para Amar, de Amy Heckerling (I Could Never Be Your Woman, 2007)
Candidato Aloprado, de Barry Levinson (Man of the Year, 2006)
Ponte Para Terabítia, de Gabor Csupo (Bridge to Terabithia, 2007)
Escritores da Liberdade, de Richard LaGravenese (Freedom Writers, 2007)
As Férias de Mr. Bean, de Steve Bendelack (Mr. Bean’s Holiday, 2007)*

Instinto Secreto, de Bruce A. Evans (Mr. Brooks, 2007)
Ou Tudo ou Nada, de Peter Cattaneo (The Full Monty, 1997)
Hairspray – Em Busca da Fama, de Adam Shankman (Hairspray, 2007)
Ela é o Cara, de Andy Fickman (She’s the Man, 2006)*
O Imperador e o Assassino, de Chen Kaige (Jing ke ci qin wang, 1998.)
Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989)
Em Nome da Honra, de Phillip Noyce (Catch a Fire, 2006)
Quando Um Estranho Chama, de Simon West (When a Stranger Calls, 2006)*
Todo Poderoso, de Tom Shadyac (Bruce Almighty, 2003)*
O Mestre das Armas, de Ronny Yu (Huo Yuan Jia, 2006)
O Príncipe das Sombras, de John Carpenter (Prince of Darkness, 1987)

Um Beijo a Mais, de Tony Goldwyn (The Last Kiss, 2006)
Shaft, de John Singleton (Shaft, 2000)
De Acordo com Spencer, de Shane Edelman (According to Spencer, 2001)
Atirador, de Antoine Fuqua (Shooter, 2007)
Paranóia, de D.J. Caruso (Disturbia, 2007)
A Terra Encantada de Gaya, de Lenard Fritz Krawinkel e Holger Tappe (Back to Gaya, 2004)

O Silêncio de Melinda, de Jessica Sharzer (Speak, 2004)
Alucinações do Passado, de Adrian Lyne (Jacob’s Ladder, 1990)
A Estranha Perfeita, de James Foley (Perfect Stranger, 2007)
Satisfação: 63%
Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

= Péssimo








