Corpo
27/05/2008

Depois de estar novamente afastado do Cine Resenhas, venho com a triste notícia do falecimento do grande Sydney Pollack, mas também trago divulgação de “Corpo”, produção nacional dramática que estréia nesta sexta-feira, 30 de maio, deRossana Foglia e Rubens Rewald. Abaixo vocês terão acesso a informações mais detalhadas do longa. Para conferir ao trailer entre no site de “Corpo”.
• Sinopse
Artur é um médico legista obcecado por corpos humanos, mortos ou vivos. Mesmo trabalhando em um necrotério público, num contexto de corrupção e decadência, vai além dos diagnósticos burocráticos e faz uma profunda leitura dos corpos. A rotina de seu trabalho é quebrada pela chegada de ossos encontrados em uma vala comum. Junto à ossada, está o corpo de uma mulher jovem, que provoca um embate no departamento: a sua supervisora, Dra. Lara, defende que o corpo é recente, sem nenhuma relação com os ossos, tidos como de vítimas do regime militar. Já Artur, pela análise do corpo, insiste que ele tem mais de 30 anos, pertence ao grupo dos ossos e que, por alguma estranha razão, se manteve preservado.
O veredito de Lara, no entanto, prevalece. E ela impõe um prazo: se o corpo não for identificado em 24 horas, será enterrado como indigente. Artur decide, então, investigar por conta própria a identidade daquele corpo. Em arquivos policiais, encontra a ficha de uma guerrilheira extremamente semelhante a ele: Teresa Prado Noth. Através do nome descoberto, Artur chega em Fernanda, filha de Teresa, que é idêntica ao corpo. No entanto, para a surpresa do legista, Fernanda diz que sua mãe está viva e propõe a ele conhecê-la. Artur aceita o convite.
Os dois empreendem uma busca caótica pela cidade em busca da mãe dela e da identificação do corpo. Paralelamente vão surgindo fragmentos da vida de Teresa. A garota morta era uma atriz de vanguarda que se transformara em guerrilheira de esquerda durante os anos 70; Helena foi a única testemunha de sua trajetória. Uma ambigüidade se estabelece: Os fragmentos podem ser tanto reais, como criações da mente de Artur.
Com Leonardo Medeiros, Rejane Arruda, Chris Couto, Louise Cardoso, Regiane Alves, Antônio Petrin, Sônia Guedes, Zecarlos Machado, Rogério Brito, Gustavo Machado, Doró Cross.
• Apresentação, por Rossana Foglia e Rubens Rewald
O mundo em “Corpo” é construído por e através de Artur. É ele que nos guia, a partir de seu olhar e sua melancolia. Imergimos em sua rotina, seu imaginário. Artur olha para os corpos, vivos ou mortos. Não há morbidez no olhar. Os corpos mortos podem ser olhados por nós, assim como a maneira que os legistas lidam com eles. A vida contemporânea esconde a morte, mas ela existe, e muitos lidam com ela diariamente. Artur olha para um cadáver e elabora sua própria causa mortis.
A sala de necropsia é o espaço central desse mundo. Para construí-la, buscamos elementos mais representativos da relação sensorial de Artur com este espaço. Estão presentes o contraste entre o aço inox e o calor que se esvai dos corpos, as paredes verdes e o vermelho do sangue, a umidade como resquício de vida e o apoio de cabeça, que em uma repartição pública em São Paulo pode ser algo improvisado. As cores são predominantemente dessaturadas e frias para se criar uma representação da morte associada à precariedade, burocracia e tristeza de Artur, em contraste com o mundo de excessos da personagem Fernanda e do espírito “pop” e libertário dos anos sessenta e setenta. Fernanda rouba calcinhas em um loja descolada.
Optamos por uma decupagem precisa, que estabelece o olhar de Artur, não só em relação aos corpos, mas também na criação de um clima de vigilância e censura, através de um recurso simples: as personagens olham para a câmera. Olham para quem as observa. Artur. Ele observa, sem ser visto, por trás de copos, janelas, portas e, furtivamente, em vagões de metrô. Há um jogo constante entre o observar e o ser observado. A socióloga Teresa Prado Noth observa o banho de seu jovem amante.
Quando surgiu o projeto, a intenção era enfrentar duas experiências históricas: a contracultura e os movimentos de esquerda mais radicais experimentados durante o período da ditadura militar no Brasil. Esse período está começando a ser revisto, deixou seqüelas, apesar de ser considerado superado. A contracultura também é considerada superada, como vivência e manifestação artística. O filme trabalha com a idéia de interrupção e censura em torno desses movimentos, justapondo as idéias do passado ao presente. O “nonsense” sem ideologia da atriz Fernanda dialoga com o abandono da própria identidade da guerrilheira Teresa; os procedimentos repressores de um regime ditatorial dialogam com as dificuldades diárias que Artur enfrenta na repartição pública onde trabalha, conseqüências de um excesso de pragmatismo, eficiência, burocracia e corrupção, imposições do contemporâneo. Queremos abordar a História de uma maneira diferente, não como uma reconstituição de fatos, mas buscando os vestígios do passado no presente, resíduo ainda a ser resolvido. A Dra. Lara é acossada e interrogada no banheiro por Artur e Fernanda, numa ação inútil.
A narrativa é lacunar, pois acreditamos que o espectador pode sempre ser chamado a completar um quebra-cabeças, assumindo um papel ativo, de espectador jogador. Seja bem-vindo…
Fechamento do Mês (Abr/08)
01/05/2008


A Professora de Piano, de Michael Haneke (2001, La Pianiste)
Chinatown, de Roman Polanski (1974, idem)
Rambo – Programado Para Matar, de Ted Kotcheff (1982, First Blood)
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (1977, Annie Hall)

Uma Secretária de Futuro, de Mike Nichols (1988, Working Girl)
Os Incompreendidos, de François Truffaut (1959, Les Quatre Cents Coups)
Caché, de Michael Haneke (2005, idem)
Copycat – A Vida Imita a Morte, de Jon Amiel (1995, Copycat)
As Garotas do Calendário, de Nigel Cole (2003, Calendar Girls)*
Ponto de Vista, de Pete Travis (2008, Vantage Point)
Hairspray – Em Busca da Fama, de Adam Shankman (2007, Hairspray)*
Amor à Flor da Pele, de Wong Kar Wai (2000, Fa Yeung Nin Wa)
O Bicho Vai Pegar, de Roger Allers e Jill Culton (2006, Open Season)
Emma, de Douglas McGrath (1996, idem)
Terra de Ninguém, de Terrence Malick (1973, Badlands)
Kramer Vs. Kramer, de Robert Benton (1979, idem)
Finais Felizes, de Don Roos (2005, Happy Endings)
A Marca da Pantera, de Paul Schrader (1982, Cat People)
Todos Dizem Eu Te Amo, de Woody Allen (1996, Everyone Says I Love You)
Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro, de Callie Khouri (2008, Mad Money)
À Prova de Morte, de Quentin Tarantino (2007, Death Proof)

Coração Selvagem, de David Lynch (1990, Wild at Heart)
O Homem Que Não Vendeu Sua Alma, de Fred Zinnemann (1966, A Man for All Seasons)
Jogos Mortais 4, de Darren Lynn Bousman (2007, Saw IV)
Viagem do Coração, de Jean-Paul Rappeneau (2003, Bon Voyage)

Autodestruição, de Ryan Eslinger (2007)
Satisfação: 68%
* Filmes Revistos
Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

= Péssimo








