Um Sonho Dentro de Um Sonho
30/06/2008
Muitas pessoas da imprensa internacional declararam que entrevistar o respeitável Anthony Hopkins não é uma tarefa agradável. Demonstrando impaciência a cada questão realizada, o veterano ator não hesita ao falar o quanto despreza as pressões que a profissão rende como recompensa a aqueles que são tão renomados na indústria cinematográfica. E em “Um Sonho Dentro de Um Sonho”, dado como o terceiro filme dirigido por nosso querido Hannibal Lecter, esse incômodo é bem perceptível nas fartas cenas oníricas e de puro histerismo. Um dos primeiros acontecimentos deste suspense nos dá uma clara percepção do que encararemos adiante, sendo uma loucura cometida por um indivíduo aparentemente qualquer numa rodovia onde, disparando tiros contra os outros motoristas, protesta a perda de um enredo ao som perturbador de “Sweet Dreams” (Hopkins também é responsável pelo departamento musical de “Um Sonho Dentro de Um Sonho”).
Uma das pessoas que presenciam este desastre é o roteirista Felix Bonhoeffer (Anthony Hopkins), que é convocado às pressas para fazer alterações em seu script quando um ator (Christian Slater) que incorpora um personagem essencial morre em plena filmagem. Essa teia de mistérios que rondam o seu cotidiano recente se amplia surpreendentemente quando outros personagens estranhos aparecem na história, como a atriz Bonnie (S. Epatha Merkenson), uma velha (Fionulla Flanagan) que planeja uma viagem para Las Vegas, Mort, o barman (Michael Clarke Duncan), Gina (Stella Arroyane que, assim como no filme, é esposa de Hopkins), o detetive Larabee (William Lucking), uma aparição de Kevin McCarthy em pessoa, entre outros. Mas não pense que é só isso: aproximadamente 2/3 do elenco interpretam de dois a três personagens.
Vale dizer que “Um Sonho Dentro de Um Sonho” tem muitas excentricidades que nos remetem ao cinema de David Lynch. Hopkins também acredita no poder da imagem, acrescentando ao longo do seu filme recortes de cenas que não duram um segundo sequer, sendo elas preenchidas com momentos passados, futuros ou de explosões e massacres da Segunda Guerra Mundial, muitas delas acompanhadas com sons de capturas de imagens e da aparição de claquetes. São efeitos somados a outros que demonstram um invejável talento de Hopkins com o uso da nossa avançada tecnologia na composição de sua obra. Mas eles auxiliam no embaralho por completo do filme, que começa a ficar insuportável com as dezenas de pistas fornecidas a cada minuto de projeção para que o último ato seja mais compreensível. Mesmo que abaixo da média, é uma produção que merece ser conferida pelos cinéfilos, que depende de astúcia para que a trama fragmentada surta algum sentido.
Título Original: Slipstream
Ano de Produção: 2007
Direção: Anthony Hopkins
Elenco: Anthony Hopkins, Stella Arroyave, Fionnula Flanagan, Christian Slater, Michael Clarke Duncan, Lisa Pepper, Jeffrey Tambor, John Turturro, Lana Antonova, Gavin Grazer, Camryn Manheim, S. Epatha Merkerson, Jennifer Mann, William Lucking e Kevin McCarthy.
Nota: 5.0
Ponto Crítico de Fevereiro – 2008
27/06/2008
Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir o perdão de todos os visitantes deste espaço pela total demora na publicação do Ponto Crítico referente ao mês de fevereiro. Como devem saber, fiquei muitas semanas afastado do Cine Resenhas e pouco tempo tive para desenvolver algum texto para publicar, especialmente em questão do quadro de avaliações em seguida (para melhor visualização clique na imagem), que exigiu algumas horas para a coleta de notas. Mesmo assim, agradeço pelos cinéfilos que embarcaram nesta coletividade de pequenas opiniões e novamente peço desculpas por aqueles que gostariam de participar, mas que não receberam a lista via e-mail ou recado via Orkut. Neste segundo caso, pretendo me redimir enviando a partir da próxima semana a relação de lançamentos nacionais ocorrido ao longo do mês de março. E caso você não tenha participado destas duas edições e quiser enviar as notas para o próximo Ponto Crítico, basta confirmar nos comentários o interesse. Desta vez, “Sangue Negro” ganhou o favoritismo dos cinéfilos com 94% de aprovação, sendo “Persépolis” (89%) o segundo colocado. Já a disputa para garantir o terceiro lugar resultou em empate entre “Juno”, “Na Natureza Selvagem” e o vencedor do Oscar “Onde os Fracos Não Têm Vez”, todos os três com 85% de aprovação. O lanterninha da vez é “Espartalhões”, recebendo nota zero de todos os blogueiros que o viram.
Memórias
26/06/2008
Uma Chamada Perdida
25/06/2008
Após a cena de abertura marcada pela morte de uma personagem, surge a impressão de que “Uma Chamada Perdida”, uma refilmagem americana do oriental “Ligação Perdida”, do cultuado cineasta Takashi Miike, deve fugir da mediocridade que rondaram outras releituras recentes. Tal expectativa dá-se através da interessante abordagem, onde fenômenos bizarros atingem aleatoriamente adolescentes através de um aparelho celular. Um banner cuja frase é “Seu celular. Sua Vida” e a forma como o francês Eric Valette focaliza um cotidiano comum com muitas pessoas utilizando o tal objeto pelas ruas fortalecem essa esperança. No entanto, passado este destaque, “Uma Chamada Perdida” toma caminhos constrangedores.
Beth (Shannyn Sossamon) é uma jovem estudante que guarda consigo alguns traumas do passado. É por este motivo que muitos não acreditam nas suas afirmações de que forças do além estão matando os seus colegas mais próximos, dado início no desastre numa estação de trem com a sua amiga Leann (Azura Skye). Será o detetive Jack Andrews (Edward Burns) que investigará estes crimes, ajudando Beth a chegar à revelação do mistério, pois sua irmã morreu pelas mesmas circunstâncias, estando utilizando o celular no acontecimento e soltando da própria boca algo semelhante a uma bala.
Com os inúmeros problemas de todo o projeto, como a ausência de originalidade, clima horripilante e empenho do elenco em geral – é lamentável ver Azura Skye, atriz que mostrou um invejável auto-astral em “Vida Louca”, numa interpretação tão insípida -, fica difícil imaginar o por quê de Hollywood continuar investindo na onda de remakes, mesmo que o público em geral não pareça se interessar mais por estas produções. Ou não, pois somente nas bilheterias mundiais “Uma Chamada Perdida” adquiriu um valor de arrecadação acima de 40 Milhões de Dólares, o dobro do custo da realização. Mas talvez a culpa seja do próprio cinema americano, que parece nos privar de obras de qualidade do gênero. No caso desta realização de Valette, se salva somente a melodia simpática repetida nos celulares dos personagens. Celebrado por interpretar o Diabo no seriado “Reaper”, Ray Wise aqui incorpora um apresentador sensacionalista.
Título Original: One Missed Call
Ano de Produção: 2008
Direção: Eric Valette
Elenco: Shannyn Sossamon, Edward Burns, Ana Claudia Talancón, Johnny Lewis, Jason Beghe, Meagan Good, Azura Skye e Ray Wise.
Nota: 1.5
Melhores de 2007 – Figurinos
24/06/2008
Nada melhor do que um elenco bem vestido para deixar um filme ainda mais elegante e colorido. O Cine Resenhas agora destaca os melhores figurinos de 2007, uma categoria que foi para lá de difícil para selecionar somente cinco finalistas. Na liderança, “Hairspray – Em Busca da Fama” – recebendo a quarta menção até agora. Aproveito também para agradecer por todos os internautas que visitam e comentam todas as publicações, sendo a atualização de hoje a centésima depois de um pouco mais de um ano de vida do blog.
1: Hairspray – Em Busca da Fama
2: Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho
3: Confidencial
4: A Bússola de Ouro
5: Encantada


Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

= Ótimo
= Bom
= Regular
= Fraco
= Péssimo








