Especial Brian De Palma: Filmes Favoritos
29/09/2008
Antes de iniciar a listagem dos dez filmes do diretor Brian De Palma que são os meus prediletos, o Cine Resenhas gostaria de agradecer profundamente a todos os visitantes por acompanhar o pequeno especial dedicado a este estupendo diretor que com suas habilidades singulares e muita paixão foi capaz de tornar o cinema uma arte ainda mais fascinante, capacidade esta que fez com que este cinéfilo gravasse em sua memória as incríveis e brilhantes experiências que é reservar duas horas de emocionantes momentos ao embarcar na história de cada um de seus filmes. Pela necessidade de um tempo maior outros textos já finalizados serão publicados futuramente, pois existem outros materiais programados para serem entregues nos próximos dias, como correntes, os melhores filmes exibidos nos cinemas nacionais durante o ano de 2007 e as resenhas que há muito não são escritas. Sem mais delongas, vamos a lista:
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10: DUBLÊ DE CORPO – BODY DOUBLE (1984)
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- Cultuado pelos cinéfilos como o suspense de Brian De Palma que preservam as maiores referências ao cinema de Hitchcock, “Dublê de Corpo” é de longe o filme que rende a maior diversão entre todos os rodados pelo mestre do suspense, com muita sensualidade e humor – e ao som de “Relax!”, claro.
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09: O FANTASMA DO PARAÍSO – PHANTOM OF THE PARADISE (1974)
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- Indicado ao Oscar na categoria de melhor trilha-sonora, “O Fantasma do Paraíso” é um show de boas músicas, interpretações e poesia. Ao inspirar-se livremente em “O Fantasma do Paraíso”, De Palma ainda entrega aquela que é a melhor paródia existente da cena do chuveiro de “Psicose”.
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08: O PAGAMENTO FINAL – CARLITO’S WAY (1993)
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- Depois da decepção de “A Fogueira das Vaidades” o cineasta se reergue contando novamente com Al Pacino como protagonista de sua obra e Sean Penn naquele que pode ser considerado o seu grande desempenho. Os acontecimentos finais, passados num metrô, são esplêndidos.
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07: OS INTOCÁVEIS - THE UNTOUCHABLES (1987)
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- Grande filme nascido no feliz anos 80, “Os Intocáveis” é uma aula de como se fazer cinema. É aquele tipo de obra onde tudo dá certo, desde a feliz interatividade entre o quinteto que luta por justiça até a trilha de Ennio Morricone que aumenta ainda mais a emoção. A sequência onde Kevin Costner e Andy Garcia se arriscam nas escadarias de um edifício é algo indescritível.
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06: UM TIRO NA NOITE – BLOW OUT (1981)
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- Genuíno suspense cujo roteiro alcançou muitos feitos, conseguindo manter o interesse na sua história que envolve referências a “Blow-up”, de Antonioni, conspiração política, um assassino em série interpretado por um John Lithgow estarrecedor e o belo companheirismo entre Jack (John Travolta) e Sally (Nancy Allen) que culmina no desfecho mais trágico concebido por De Palma.
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05: AS IRMÃS DIABÓLICAS – SISTERS (1973)
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- De Palma havia se lamentado muito por não adquirir um orçamento bom o suficiente para que alguns ajustes fossem feitos no casting de “As Irmãs Diabólicas”. No entanto, já deve imaginar o que esta pequena obra-prima rende até hoje através de referências no cinema. Mesmo com o lamentável remake realizado por Douglas Buck, “As Irmãs Diabólicas” é um filme a ser descoberto pelas novas gerações.
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04: FEMME FATALE – FEMME FATALE (2002)
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- Talvez o filme mais estiloso do diretor e o mais subestimado. “Femme Fatale” é uma festa para os olhos, onde cada detalhe aplicado ao longo de sua projeção exerce grande peso ao desfecho. É também a produção que consegue fundir com grande maestria todas as características de uma mulher fatal, o que resulta em um desempenho soberbo e sedutor de Rebecca Romijn-Stamos.
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03: CARRIE – A ESTRANHA – CARRIE (1976)
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- Este aqui de tão bom já ganhou até uma sequência vergonhosa. Primeiro grande sucesso de Brian De Palma, “Carrie – A Estranha” tem até hoje a sua estrutura copiada por fitas do gênero, mas que nunca conseguem carregar a sua essência. Não basta adicionar um grupo de adolescentes sendo aterrorizados em tempos de colégio e pregar sustos fáceis na platéia: De Palma, com base no livro de Stephen King, soube disso e entregou personagens ricos e um dos maiores sustos da história do cinema com um delineamento nunca repetido por outros diretores.
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02: SCARFACE – SCARFACE (1983)
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- No lançamento de “Scarface”, De Palma sofreu problemas de censura e com a crítica, alegando que esta refilmagem de “Scarface – A Vergonha de Uma Nação” (dirigido em 1932 por Howard Hawks) não passa de um show gratuito de violência. Passaram-se os anos e temos aqui uma autêntica amostra de filme cult – aquele que com tempo ganha os seus fãs -, onde De Palma e Oliver Stone arquitetam o ápice e declínio de Tony Montana, personagem respeitado por rappers e até protagonista de games. Um arraso!
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01: VESTIDA PARA MATAR – DRESSED TO KILL (1980)
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- Se “Psicose” algum dia fosse precisar de um “filho”, “Vestida Para Matar” seria a escolha sensata. A premissa tem uma construção idêntica, mas De Palma é capaz de manter o mistério neste que é o filme onde toda a sua inteligência, talento, ousadia e personalidade estão presentes como nunca. “Vestida Para Matar” é o filme perfeito em cada um de seus segundos e que você terá de compartilhar todos os sentimentos de cada um dos personagens, queira ou não.
Especial Brian De Palma: Parcerias
27/09/2008
Qualquer um que assista a um filme de Brian De Palma pode notar entre os muitos elementos de seu cinema algo especial entre o elenco e o profissional que o coordena. Essa constatação entre diretor e intérprete pode ser comprovada a partir das inúmeras parcerias existentes ao longo da grande carreira do diretor, onde muitas destas colaborações foram repetidas, sendo com grandes astros do cinema ou mesmo com talentos notáveis já esquecidos, infelizmente.
Quando De Palma ainda cuidava de curta-metragens um elo foi formado com William Finley, com quem o diretor trabalhou o maior número de vezes, sendo nove o total. Este ator nascido em Nova York há sessenta e seis anos atrás foi com quem Brian De Palma pôde ser grande amigo enquanto William frequentava a Sarah Lawrence College, local onde De Palma adquiriu experiências na área de direção. De aparência para lá de sinistra, William Finley possui dois desempenhos extraordinários da sua carreira formada por um pequeno número de filmes, sendo estes como protagonista mascarado de “O Fantasma do Paraíso” e o “médico maluco” apaixonado por uma das irmãs gêmeas de “As Irmãs Diabólicas”. Sua última aparição nas telas foi como um personagem obscuro de “Dália Negra” que tem relação direta com a morte de Elizabeth Short. A voz que emprestou para Bobbi em “Vestida Para Matar” também é um trabalho marcante.
O diretor também trabalhou com alguns membros de sua família e com duas das suas três ex-esposas. Vocês se recordam da aparição de um garoto andando em uma bicicleta atormentando Carrie White em “Carrie – A Estranha”? Não se preocupem, trata-se de Cameron De Palma, de quem De Palma é tio. Bart De Palma, seu irmão mais velho e fotógrafo, fez ponta em dois filmes do mestre – “Femme Fatale” e “Hi, Mom!” – e colaborou no departamento artístico de “Femme Fatale”, sendo responsável pela bela imagem de encerramento do longa. Com Nancy Allen foram quatro personagens oferecidas e aceitas, sendo a mais memorável a bela garota de programa Liz Blake, em “Vestida Para Matar”. E por último, Gale Anne Hurd, que atuou como produtora em “Síndrome de Caim”.
No entanto, aquela que se tornou a relação profissional entre diretor e ator mais expressiva foram mesmo com Robert De Niro e Al Pacino. Se De Niro deve muito do seu sucesso ao diretor por tê-lo lançado, Pacino adquiriu em Tony Montana o seu personagem mais cultuado. E não podemos nos esquecer também de Carlito Brigante, do formidável “O Pagamento Final”. Voltando em “Scarface” existem outros talentos a serem destacados desta obra-prima do cinema. Trabalhando hoje em dia numa velocidade bem baixa, Mary Elizabeth Mastrantonio estreou nos cinemas com pé direito: interpretou ninguém menos que Gina, irmã de Tony Montana. Michelle Pfeiffer, que até então só tinha se destacado no fracassado “Grease 2″ mostrou a grande atriz que até hoje admiramos ao incorporar a bela Elvira. O filme também amadureceu Oliver Stone, que fez uma longa pesquisa para assinar o roteiro de “Scarface” após o fiasco de “A Mão”, longa protagonizado por Michael Caine.
Sean Penn foi outro beneficiado ao trabalhar com Brian De Palma. Até então lembrado pela década de 80 pelo seu abestalhado Jeff de “Picardias Estudantis”, Penn ganhou impulso ao participar como coadjuvante de “Pecados de Guerra” (aqui também sendo revelado um outro grande talento no seu único filme, a atriz Thuy Thu Le) e “O Pagamento Final”. Já Sissy Spacek, mesmo tendo um filme primordial protagonizado anteriormente com Terrence Malick, “Terra de Ninguém”, foi consagrada definitivamente como Carrie White. Piper Laurie, que vive a mãe de Carrie, entrou na história como uma das mães mais perturbadoras existentes no cinema. E o que dizer de John Travolta? Antes de estourar com “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” e “Os Embalos de Sábado a Noite” ele fez o namorado canalha de Nancy Allen em “Carrie – A Estranha”. Cinco anos depois, um dos seus melhores desempenhos formando novamente par com Nancy: “Um Tiro na Noite”.
Mesmo que sendo um projeto comprometedor na carreira de Brian De Palma, “A Fogueira das Vaidades” serviu para Tom Hanks mergulhar em premissas com tons mais obscuros e desafiadores e revela mais uma parceria com Melanie Griffith, boa atriz que teve o seu talento confirmado (e, consequentemente, uma indicação ao Globo de Ouro) somente ao dar vida à Holly, a atriz pornô de “Dublê de Corpo”. “Os Intocáveis” também deu o que falar. Além da substituição de Bob Hoskins por Robert De Niro, foi reservado a Andy Garcia o seu primeiro grande papel nas telonas, Patricia Clarkson realizando sua estréia como atriz de cinema e Kevin Costner é entregue ao estrelato depois de muitas discódias do estúdio e da total aprovação de Brian De Palma para o ator viver Eliot Ness.
Não é pouco: Jill Clayburgh, Paul Williams, Jessica Harper, Amy Irving, Charles Durning, John Lithgow, Gary Sinise, Luis Guzmán, Ving Rhames, John Lithgow, Dennis Franz, Craig Wasson, Margot Kidder, Gregg Henry e Betty Buckley são outros nomes que devem muito ao diretor, sendo tanto pelo número de parcerias que deram certo ou, principalmente, o primeiro passo da carreira. Quem diria que um cineasta tão injustiçado fosse capaz de tantos feitos como este.
Especial Brian De Palma: Split Screen
25/09/2008
Dentro dos diversos recursos presentes nas realizações do cineasta Brian De Palma, um dos mais populares é o uso do split screen, ou tela dividida. Utilizado de modo excessivo em “As Irmãs Diabólicas”, o seu primeiro filme conhecido mundialmente até hoje, a tela dividida permite que o público possa visualizar dois acontecimentos de uma única ação, onde com a criatividade inegável de Brian De Palma apresenta cenas de tirar o fôlego. Em “As Irmãs Diabólicas”, por exemplo, vemos a tela sendo repartido em dois após um dos personagens centrais ser esfaqueado sucessivas vezes. Usando algumas caracterísicas do voyeurismo presente em “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock, De Palma nos entrega na divisão direita esta vítima “aproveitando” o sangue das próprias feridas para pedir socorro. No lado esquerdo uma mulher interpretada por Jennifer Salt é quem vê pela janela de seu apartamento este indivíduo em estado desesperador. De forma rápida e muito eficiente, De Palma aproveita para mostrar Salt ligando para a polícia e que ela é uma jornalista que investigará este mistério ocorrido no apartamento vizinho. E por mais curioso que possa parecer, a tela dividida também serve como uma metáfora à trama, vendo que a mesma se trata de irmãs siamesas de personalidades diferentes que são separadas numa cirurgia.
Satisfazendo a todos com esta habilidade, De Palma aproveitou para também acrescentar o split screen nos seus futuros suspenses com um progresso surpreendente. A antológica cena de formatura em “Carrie – A Estranha” é muito badalada por mostrar as expressões de Carrie White enquanto lança os seus poderes paranormais contra aqueles que a insultaram com risadas após ser banhada com sangue de porco, um pesadelo para qualquer estudante que não deseja passar por tal humilhação no fim da vivência escolar. “Vestida Para Matar”, “Olhos de Serpente” e “Femme Fatale” também contam com esta divisão de telas, muitas delas quando conta com personagens em conversas por aparelhos telefônicos ou, como já mencionado, em cenas de voyeurismo.
Mas Brian De Palma não é o pioreiro desta técnica singular nos cinemas. Produções que antecedem a ascensão do diretor utilizavam este recurso, ainda que de forma não muito memorável. “Um Dia nas Corridas” (1937), “Amor Eletrônico” (1957) e filmes de ação mais conhecidos como “Bullitt”e “Crown – O Magnífico” (ambos de 1968) são alguns exemplos. No entanto, por se popularizar de forma mais expressiva nos suspenses do diretor, até hoje muitos filmes se deixam levar por este recurso. Longas tão diferentes como “Aprontando Todas”, “Smiley Face” e “Eu Sei Quem Me Matou” (onde o diretor Chris Sivertson se inspira claramente em “As Irmãs Diabólicas”) são outros que se destacam, conforme pode ser conferido na pequena galeria abaixo:
Veja também algumas outras imagens dos filmes do Brian De Palma a constar o split screen:




Especial Brian De Palma: Bruce Springsteen
23/09/2008
Nesta terça-feira, 23 de Setembro de 2008, o famoso cantor americano Bruce Springsteen completa 59 anos de idade. Famoso pelos cinéfilos pelas músicas que compõem as trilhas-sonoras de grandes sucessos do cinema, Springsteen teve a sua “Streets Of Philadelphia”, canção tema de “Filadélfia”, lembrada pelo Oscar, Globo de Ouro e o Grammy.
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Mas esta não é a canção predileta deste cinéfilo. “Dancing in the Dark”, um dos maiores sucessos de Bruce Springsteen e que marcou a geração que viveu a década de 1980 teve o seu videoclipe dirigido por ninguém menos que Brian De Palma. Só não espere que as artimanhas do diretor nos cinemas sejam também aplicados ao clipe, que se concentra mais na vibração contagiante de Springsteen no palco seguindo um padrão ao vivo. Mas vale o aviso ao não informados: Courtney Cox, a inesquecível Monica de “Friends”, aparece com grande destaque como fã do cantor. Até no mundo da música De Palma já trabalhava com novatos que são grandes talentos de hoje.
Obs.: Segundo o nosso amigo blogueiro Bruno, não é possível assistir ao clipe aqui publicado. Por ser um problema vindo do próprio Youtube, clique aqui para ser direcionado à página e conferir ao vídeo.
Especial Brian De Palma: Carreira – Parte II
21/09/2008
Os anos mais recentes reservou um destino melhor ao diretor. Depois de dez anos, De Palma voltou a dirigir um roteiro de sua própria autoria, resultando no excelente “Femme Fatale”, suspense estiloso, sensual, complexo e surpreendente. É um Brian De Palma renovado, mesmo que se aproveite de alguns elementos de outros de seus trabalhos, como o constante uso de split screen (um recurso de tela dividida) e, como o título já entrega, uma mulher fatal como destaque da história. Mas a recepção de público e crítica não foi totalmente positivo, um comportamento repetido também no lançamento de “Dália Negra”. Mesmo que este suspense possa não ter captado a genialidade do livro escrito por James Ellroy (ao qual se inspirou no assassinato de sua própria mãe), ao menos serviu para trazer de volta o fabuloso espírito dos filmes noir no cinema contemporâneo. E o filme ainda reserva outros méritos, como os desempenhos de Hilary Swank, Mia Kirshner e Fiona Shaw e novas sequências mirabolantes que figuram entre as melhores concebidas por De Palma, a exemplo daquela onde uma tragédia acontece nas escadarias de um edifício.
Atualmente, Brian De Palma está envolvido em dois projetos. O primeiro é o prequel de “Os Intocáveis”. Só que há problemas, e o principal deles se trata de quem convocar um ator para dar vida a um jovem Jimmy Malone, personagem que rendeu o Oscar para Sean Connery no filme original de 1987. Rumores indicavam anteriormente que Nicolas Cage seria o felizardo, mas teve de recusar a proposta por conflitos de agenda (e provavelmente por gostar de protagonizar filmes de segunda linha como podemos notar atualmente). Agora a responsabilidade aparentemente é de Gerard Butler. “Toyer” era outro filme cujo convite passou pelas mãos do diretor no lançamento de “Femme Fatale” (os mesmos produtores deste filme o convocaram), mas por motivos não divulgados De Palma não está mais ligado a adaptação do livro de Gardner McKay. No entanto, dizem que o mestre está confirmado para rodar em breve “O Estrangulador de Boston”, cujo fato real já inspirou um filme rodado em 1969 com Tony Curtis no papel-título.
Enquanto nada é confirmado pelo diretor sobre estes dois projetos, os brasileiros ainda devem aguardar por “Redacted”, talvez o filme mais polêmico do diretor desde os problemas de censura de “Scarface”. A história lembra “Pecados de Guerra”, mas a realização é totalmente distinta. Trata-se do fato real de soldados americanos que estupraram e mataram covardemente uma garota de 14 anos e, posteriormente, toda a sua família. Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza, o filme foi rodado após De Palma topar a proposta de realizá-lo com o valor de 5 Milhões de Dólares usando um tema que desejasse contar. Após uma longa pesquisa através de acessos à Internet, “Redacted” passou por transtornos pelos seus créditos finais, onde De Palma acrescentou fotos reais de pessoas mortas por soldados americanos em plena guerra no Iraque. Inconformado com este e por outros bloqueios, o próprio diretor disse numa entrevista de divulgação do longa: “Nem posso dizer o nome da cidade onde o episódio no qual ‘Redacted’ é baseado realmente ocorreu. Só posso indicar as cinco palavras que você deve colocar na sua busca on-line: EUA, soldados, Iraque, estupro, assassinato. Está tudo lá, para quem quiser saber”.
Este seu último filme completo de certa forma é um dos que melhor representa o diretor, dono de adjetivos como “autêntico sucessor de Alfred Hitchcock” e “diretor que melhor domina as técnicas do cinema” a “imitador barato do mestre do suspense” – ainda que De Palma se defenda com essa errônea terceira afirmação: “Não, já sou um velho cheio de experiências próprias. Tenho mais de 60 anos, nessa idade Hitchcock estava filmando ´Os Pássaros´. Acho que já desenvolvi meu próprio jeito de pensar e de contar história a essa altura. O universo ainda é mais ou menos o mesmo, suspense, horror, mistério e grandes sequências visuais, mas já não penso nele. Não quando estou filmando, pelo menos”, decreta ao divulgar “Femme Fatale”. E por maior que seja alguns de seus poucos erros, Brian De Palma já conseguiu o feito de marcar o seu nome definitivamente na história do cinema e na memória do público pela sua ousadia, originalidade, energia e, o que mais se destaca, a sua eterna paixão pela arte de se fazer cinema.
Com a carreira bem sucedida e lembrado pelos atores e atrizes com os quais trabalhou, Brian De Palma é hoje pai de duas garotas, Lolita e Piper, fruto do relacionamento com a produtora Gale Anne Hurd e com a atriz anônima Darnell Gregorio, respectivamente.











Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

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