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Por ser um conflito que assola muitas pessoas até nos dias atuais, o cinema ainda não foi capaz de dar um basta e encerrar a sua remessa generosa de dramas que surgem de tempos e tempos e que se espelham nas marcas deixadas em toda a humanidade por causa da Segunda Guerra Mundial. É um tema histórico já explorado de cabo a rabo e narrado pelos mais diversos pontos de vista. Mas volta e meia surgem novidades e “O Menino do Pijama Listrado” é uma grata surpresa.

A adaptação do famoso livro de John Boyne tem versão cinematográfica enxuta, impactante e muito bem interpretada. A história tem como protagonista o pequeno Bruno (Asa Butterfield), de oito anos. Vivendo com os seus pais (papéis de David Thewlis e Vera Farmiga) e a sua irmã mais velha (Amber Beattie) em Berlim ele se muda para um outro local devido a nova missão ao qual o seu pai, um soldado nazista de grande reputação, é subordinado. Dá que na nova residência encontra um novo amigo chamado Shmuel (Jack Scanlon). E dentro das conversas dessas duas crianças vem o que difere “O Menino do Pijama Listrado” de outros filmes sobre o Holocausto: nem Bruno e muito menos Shmuel sabem a realidade que estão vivendo.

Essa perspectiva a princípio ingênua ao qual o cineasta britânico Mark Herman está longe de suavizar os acontecimentos daquele período. Mais conhecido por dirigir “Laura – A Voz de Uma Estrela”, Herman filma a amizade de Bruno e Shmuel como representação de um mundo onde os preconceitos de diversidades, sejam eles sobre credo, classe social ou etnia, substituem qualquer esperança e harmonia. E isto se torna ainda mais forte diante do desfecho, chocante e de partir o coração.

Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Ano de Produção: 2008
Direção: Mark Herman
Elenco: Asa Butterfield, Jack Scanlon, Vera Farmiga, David Thewlis, Amber Beattie e Rupert Friend.
Nota: 8.0

Carga Explosiva 3

29/04/2009

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Lançado nos cinemas americanos em 2002, o primeiro “Carga Explosiva” não obteve sucesso nas bilheterias, mas a ação que contou com Jason Statham no seu primeiro papel como protagonista encontrou o seu público nos bons valores rendidos em bilheterias internacionais e no mercado de vídeo. O mesmo aconteceu na primeira sequência exibida em 2005 e comandada por Louis Leterrier e agora em “Carga Explosiva 3″, do diretor Olivier Megaton.

O roteiro de Luc Besson (que também escreveu os filmes anteriores) e Robert Mark Kamen novamente trás Frank Martin (Statham) ao volante em uma missão de risco. E que risco, já que o vilão da vez (interpretado por Robert Knepper) prende uma pulseira em Martin com um dispositivo que explodirá caso o herói mantenha uma distância de vinte e cinco metros do carro ou tente mudar o percurso elaborado pelos capengas que o fazem transportar Valentina (Natalya Rudakova), filha de Leonid Vasilev (Jeroen Krabbe) responsável pela Agência de Proteção Ambiental da Ucrânia.

Para os fãs da série e do personagem a boa notícia é que a fórmula dos filmes anteriores da pequena franquia é mantida. A ação é muito, muito frenética e o humor aparece na medida certa – o francês François Berléand, novamente como o Inspetor Tarconi, é o dono das melhores tiradas do texto de Besson e Mark Kamen. Sem dizer também a inspirada seleção feminina que “Carga Explosiva” sempre confere, agora com a estreante e muito bela Natalya Rudakova dividindo cenas com Statham. Por fim, pela terceira vez a série se equilibra em uma trama bem boboca e num modo de entretenimento bem descartável, mas com o seu jeito descompromissado acaba divertido bastante.

Título Original: Transporter 3
Ano de Produção: 2008
Direção: Olivier Megaton
Elenco: Jason Statham, Natalya Rudakova, François Berléand, Jeroen Krabbe, David Atrakchi e Robert Knepper.
Nota: 5.5

Sob Controle

28/04/2009

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Em 1993, Jennifer Chambers Lynch estreou nos cinemas como cineasta em “Encaixotando Helena”, aquele que é um dos trabalhos mais constrangedores de toda a década passada. Para quem não sabe muito bem sobre a má fama do longa, vale dizer que o seu registro não é nada agradável. Os problemas do filme já se apresentavam antes mesmo das câmeras de Jennifer começarem a funcionar: Kim Basinger, a então ilustre protagonista, desistiu de viver a Helena do título. A bela Sherilyn Fenn, que viveu Audrey Horne em “Twin Peaks”, ficou em seu lugar, enquanto Basinger teve que vender Braselton, a cidade que antes comprou por alguns milhões e que usaria como atração turística. A venda estava relacionado ao desacordo que aconteceu entre a estrela e os produtores de “Encaixotando Helena”. Ela assinou contrato, mas desistiu do filme. Os produtores armaram um processo e venceram.

Já o filme é um tremendo equívoco, mas vamos ao capítulo mais recente de Jennifer, dado no ótimo “Sob Controle”. Como todos devem saber, Jennifer Chambers Lynch é filha de David Lynch e teve poucas inclusões no cinema. Fez pequena participação em “Eraserhead” (que pode passar despercebido) e com aproximadamente 25 anos dirigiu “Encaixotando Helena”. A verdade é que ela sumiu, sendo estabelecido um intervalo de 15 anos entre o filme estrelado por Julian Sands e “Sob Controle”. Em “Sob Controle” a história, bem fragmentada, é de dois agentes do FBI, Sam e Elizabeth (papéis de Bill Pullman e Julia Ormond, fantásticos). Ambos são designados a desvendar os crimes misteriosos cometidos por um serial killer. Existem três sobreviventes: Jack Bennet (Kent Harper, também roteirista e produtor), detetive com grave ferimento em uma das mãos, Bobbi (Pell James), garota viciada em drogas e Stéphanie (Ryan Simpkins), menina mais astuta do que se imagina e que estava viajando com a sua família.

E serão os três que testemunharão cada detalhe que antecede o massacre que participaram em uma estrada. E os crimes, por sinal, são encenados com um talento e veracidade impressionante. O fato de ouvirmos “Add It Up”, do “Violent Femmes”, na grande sequência contestam o bom gosto musical de Jennifer (o mesmo fez em “Encaixotando Helena” em uma cena sensual ao som de “Woman in Chains”, do “Tears for Fears”). Mas os esforços da diretora que também assina o roteiro com Kent Harper que valem muito a pena serem observados é o poder que confere aos detalhes. Pode-se dizer que é algo que ela herdou de seu pai, mas ela o faz de forma independente. Os filmes de David Lynch são quebra-cabeças onde é o espectador que se encarregará de visualizar a figura que deseja depois de montar as peças. Jennifer Lynch o monta e apresenta a imagem. Mas a experiência que é acompanhar cada informação durante esse percurso em “Sob Controle” é algo eletrizante.

Título Original: Surveillance
Ano de Produção: 2008
Direção: Jennifer Chambers Lynch
Elenco: Bill Pullman, Julia Ormond, Pell James, Ryan Simpkins, French Stewart e Kent Harper.
Nota: 7.5

Dúvida

26/04/2009

doubt
“Doubt: A Parable” foi uma peça dirigida por Doug Hughes que teve a sua primeira apresentação em novembro de 2004. Os personagens centrais, interpretados por Brian F. O’Byrne (“Possuídos“), Cherry Jones (“A Vila”), Heather Goldenhersh (“O Mercador de Veneza”) e Adriane Lenox (“Um Beijo Roubado”), são criações do roteirista John Patrick Shanley, que no cinema venceu o Oscar pelo roteiro original de “Feitiço da Lua” e se responsabilizou pela primeira das três parcerias nas telas entre os astros Tom Hanks e Meg Ryan, que se deu na comédia “Joe Contra o Vulcão”. E, ao julgar pelo curriculum de Patrick Shanley, a peça “Doubt: A Parable” é o seu grande feito, vendo que de vários trabalhos cinematográficos insípidos a adaptação de “Congo” (uma aventura protagonizada por Laura Linney nos tempos onde ainda não era reconhecida pela crítica e público) vem como o mais lembrado.

Mas uma reviravolta, ainda que tardia para um homem de cinquenta e oito anos, acaba de acontecer. Se em “Doubt: A Parable” lhe foi conferido o prêmio Pulitzer, a adaptação desta peça para o cinema onde agora também dirige obtêm um resultado de tirar o fôlego pelo poder dos desempenhos principais e como estes correspondem ao vigor de sua narrativa. O maior reconhecimento fora concebido no Oscar na sua última edição, dando-lhe nada menos que cinco indicações nas categorias de melhor atriz (Meryl Streep), atrizes coadjuvantes (Amy Adams e Viola Davis), ator coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e o roteiro adaptado assinado por Patrick Shanley. É uma pena que tenha sido um longa destinado a tapar buraco, vendo que saiu da noite do dia 22 de Fevereiro de mãos abanando.

Meryl Streep, que agarra aqui o seu papel com uma firmeza como há muito não se via, é a Irmã Aloysius Beauvier. No ano de 1964 essa mulher comprou uma briga intensa com o Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) dentro da escola religiosa localizado no Bronx onde atua como diretora por anos. A causa está relacionada a um depoimento da Irmã James (Amy Adams), que levanta suspeitas de que o Padre Flynn tem mantido uma secreta relação com Donald Miller (Joseph Foster), o então único aluno negro daquele lugar  e que tem somente doze anos. Não é certeza, mas a Irmã Aloysius está convicta de que o Padre Flynn está protagonizando este escândalo.

Dentro de tantas qualidades, muito tem sido criticado na direção de John Patrick Shanley. Mas o cineasta sabe que com o forte roteiro que criou qualquer pretensão de elaborar malabarismos com a câmera ou coisa do gênero seria totalmente irrelevante. O seu trabalho consiste na total dedicação na direção de atores e na inteligência ao qual faz com que cada um deles processem o seu texto. Um dos vários exemplos que podem representar este feito é a sequência única protagonizada por Viola Davis, que interpreta a mãe de Donald. Vale também ficar muito atento a cada um dos diálogos, todos muito bem escritos. Eles fazem com que tenhamos múltiplas interpretações do que está sendo encenado, especialmente no que se diz respeito ao passado da Irmã Aloysius (é possível deduzir que a sua ira contra o Padre Flynn está relacionado tanto as novas propostas religiosas que ele trás quanto a confissão de um pecado que cometeu há anos atrás). Mas não esperem por soluções fáceis. Com força no título, as dúvidas permeiam após os créditos finais. E é exatamente por isto que o drama se torna algo único, incômodo e arrebatador.

Título Original: Doubt
Ano de Produção: 2008
Direção: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis e Joseph Foster.
Nota: 9.5

wolverine
Embora a boa sequência de “X-Men” comandada por Brett Ratner em 2006 tenha deixado muitas pontas soltas para mais histórias o futuro da cine-série é incerto. Fez muito sucesso, mas parece difícil acreditar na possibilidade de que todo o elenco ainda se interesse em interpretar por mais uma vez o mesmo personagem. A interferência da Marvel na indústria cinematográfica faz com que aventuras solo dos principais heróis dos quadrinhos também impeçam um quarto filme. E esses fatores são o que moldam “Wolverine”.

Escrito por David Benioff e Skip Woods o roteiro se encarrega de nos revelar quem era o Wolverine antes de seu encontro com Vampira (Anna Paquin) e como se tornou um mutante ainda mais poderoso. No final do século 19 o pequeno James Logan (Troye Sivan) descobre os seus poderes mutantes e mata, sem saber, aquele que é o seu pai biológico. Desesperado, foge com o seu irmão Victor Creed (Michael-James Olsen). O tempo passa e Hugh Jackman dá vida a Wolverine, enquanto Liev Schreiber é agora o Dentes de Sabre. Sempre unidos, os dois tomam caminhos opostos quando William Stryker (Danny Huston) surge liderando uma tropa de outros mutantes.

Gavin Hood, diretor do filme vencedor do Oscar “Tsotsi” e do recente “O Suspeito”, é um nome que trás uma impressão estranha a este tipo de projeto, pois se ganha a noção de que a história será mais valorizada do que a ação que o conteúdo exige. Mas o que acontece é o inverso. As batalhas ocupam o tempo correto da metragem, mas as origens aqui narradas soam desnecessárias. “Wolverine” trás muitos méritos relacionados a forma como não descarta tudo do que já havia sido construído anteriormente em “X-Men”, é verdade. Mas se Bryan Singer e Brett Ratner tinham realizado uma boa descrição sobre o personagem para que assistirmos um filme solo que pouco acrescenta sobre a identidade de Wolverine e que nem sabe aproveitar os personagens secundários que cercaram o seu passado?

Título Original: X-Men Origins: Wolverine
Ano de Produção: 2009
Direção: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Lynn Collins, Danny Huston, Will i Am, Dominic Monaghan, Tim Pocock, Daniel Henney, Troye Sivan, Michael-James Olsen e Ryan Reynolds.
Nota: 5.0