Hairspray

E o Cine Resenhas não poderia se despedir do mês de junho sem a terceira edição do Filme Vs. Filmes, uma seção que aparecerá mensalmente por aqui. Mas se nos comentários anteriores o destaque foi para produções cujas refilmagens não atingiram a mesma qualidade da obra original, vamos mudar um pouco o quadro agora. Embora “Hairspray – E Éramos Todos Jovens” e “Hairspray – Em Busca da Fama” estejam relacionados com uma mesma cotação vale ressaltar que a refilmagem de Adam Shankman acaba levando a melhor na batalha com o filme de John Waters. Saiba o porquê a seguir.

Hairspray - E Éramos Todos Jovens

HAIRSPRAY – E ÉRAMOS TODOS JOVENS

Essa comédia de John Waters se passa no início da década de 1960 e o centro da ação é a atração televisiva “Corny Collins Show”. É para este programa que a garota Tracy Turnblad (Ricki Lake) tenta a todo custo participar para mostrar que é boa de dança. A história do próprio Waters, que evolui muito pouco, rendeu para si algum destaque comercial, pois foi o seu primeiro filme a chamar a atenção um pouco maior de público. E esse reconhecimento foi tamanho que até a Broadway fez uma montagem musical com base nesta produção. É um filme divertido, muito fiel ao espírito sessentista e que atinge bons momentos de humor, como o clímax com a bomba relógio dentro da peruca da Deborah Harry, que aqui faz a vilã Velma Von Tussle.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 1988
Direção: John Waters
Elenco: Ricki Lake, Divine, Jerry Stiller, Deborah Harry, Michael St. Gerard, Leslie Ann Powers, Mink Stole, Shawn Thompson, Alan J. Wendl, Joann Havrilla, Sonny Bono, Ruth Brown e Colleen Fitzpatrick.
Cotação: 3 Stars

Hairspray - Em Busca da FamaHAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA

Se não fosse o excesso de alguns números musicais (todos envolvendo o amor dos personagens de Nikki Blonsky e Zac Efron e aquela da passeata liderada por Queen Latifah são enjoativos) o remake “Hairspray – Em Busca da Fama” seria perfeito. O diretor Adam Shankman, que se mostrou eficiente no comando de “Um Amor Para Recordar” e “A Casa Caiu”, se inspirou bastante na história de John Waters (que aparece aqui em ponta relâmpago) e seguiu a tradição de trazer Edna Turnblad no corpo de um ator sob pesada maquiagem (John Travolta herda o papel que antes nos cinemas fora do travesti Divine), mas foi mais feliz em trazer para a sua realização as letras musicais da montagem na Broadway. O elenco é perfeito e o desfecho, com quase todos os personagens cantando “You Can’t Stop the Beat”, é um dos mais irresistíveis da década.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 2007
Direção: Adam Shankman
Elenco: Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Queen Latifah, Zac Efron, Brittany Snow, Elijah Kelley e Allison Janney.
Cotação: 3 Stars

dan-in-real-life
Peter Hedges só veio a dirigir o seu primeiro longa-metragem em 2003, sendo o filme “Do Jeito Que Ela é”. Antes desse momento, assinou os scripts de “Um Grande Garoto” (pelo qual foi indicado ao Oscar), “O Mapa do Mundo” e “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador”. E todos esses títulos relevam algo muito parecido com o mais recente “Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada”, que Hedges escreve e dirige, sendo a história envolta de uma estrutura familiar repleta de abalos. Este mais recente filme de Hedges, que tem uma química especial entre Steve Carell e Juliette Binoche, está longe de alcançar toda a emoção do seu filme anterior que contava com Patricia Clarkson e Katie Holmes interpretando, respectivamente, mãe e filha que nunca tiveram uma relação afetuosa, mas alcança pontos elevados graças a sua simpatia e ternura.

Steve Carell expande a sua versatilidade incorporando Dan Burns. Ele é um sujeito que escreve uma coluna de auto-ajuda bem-sucedida para um jornal. Mas ele tem os seus problemas pessoais bem delicados para tentar resolver. Tornou-se viúvo e cria sozinho as três filhas que herdou dessa união, todas bem jovens (interpretadas por Alison Pill, que trabalhou com Hedges em “Do Jeito Que Ela é”, Brittany Robertson e Marleen Lawston). Em um instante vem o convite para todos passarem um final de semana na casa dos pais de Dan (John Mahoney e Dianne Wiest) e será nessa pausa com toda a família que ele passa por crises emocionais a partir de uma coincidência: ele sente uma atração repentina por uma estranha (Juliette Binoche) que logo será apresentado pelo seu irmão (Dane Cook) como Marie, a sua namorada. Mesmo sabendo desse compromisso acontecendo entre Marie e seu irmão, Dan será capaz de evitar os sentimentos por ela que crescem a cada minuto mais e mais?

Enquanto acompanhamos até ver no que isto vai dar Peter Hedges preenche o seu filme com muitos personagens. Mas isto não é um problema. Na verdade, quanto vemos todo o elenco em cena juntos, sendo fazendo exercícios físicos, apresentando quadros com base na própria criatividade ou mesmo na sala de estar conversando enquanto aproveitam uma boa refeição “Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada” atinge os seus melhores momentos, fazendo com que o espectador pareça estar por dentro de todos aqueles entretenimentos familiares. Notem a alegria que o filme consegue transmitir quando John Mahoney e Dianne Wiest estão armando um número cômico e certa melancolia posterior a esta cena onde Steve Carell canta a infalível “Let My Love Open the Door”. Não há dúvidas de que Peter Hedges é um talento nato analisando todos os seus trabalhos, que às vezes apresentam personagens amargurados ou que enfrentam uma fase triste em suas vidas, mas que conquista qualquer espectador com a simplicidade e o carinho com que faz e escreve os seus filmes.

Título Original: Dan in Real Life
Ano de Produção: 2007
Direção: Peter Hedges
Elenco: Steve Carell, Juliette Binoche, Dane Cook, Alison Pill, Brittany Robertson, Marlene Lawston, Dianne Wiest, John Mahoney, Amy Ryan e Emily Blunt.
Nota: 7.5

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Antes de qualquer comentário é bom revelar uma curiosidade: “O Mistério das Duas Irmãs” é refilmagem de um horror realizado na Coréia do Sul, chamado “Medo” (lançado em nosso mercado de vídeo pela Europa Filmes em 2006). Mas vamos manter a calma, pois o filme não segue a onda das terríveis refilmagens vindos do Oriente. A refilmagem, conduzida pela dupla de irmãos Charles e Thomas Guard, não se iguala ao filme de Kim Ji-woon, mas as alterações que recebeu fazem muito a diferença, especialmente aos apreciadores do filme original, que provavelmente não se contentariam com uma cópia da cabeça aos pés.

Anna (Emily Browning, de “Desventuras em Série”, fraca nas sequências de horror) retorna à sua casa depois de um longo tempo reclusa em hospital psiquiátrico. A razão de ter passado tanto tempo se tratando está relacionado a morte de sua mãe (papel de Maya Massar). Há três pessoas aguardando pelo seu regresso. A sua irmã Alex (Arielle Kebbel, que ofusca Emily Browning em todas as cenas) e o seu pai Steven (David Strathairn). A terceira pessoa é bem indesejável: Rachel (Elizabeth Banks), a recente namorada de Steven. Dá que as duas irmãs aos poucos vão encontrando evidências escondidas pela casa que acusam a megera, que agora passa a fazer papel de madrasta, como a responsável pela morte da mãe. O jovem Matt (Jesse Moss), que já namorou com Anna, até tenta avisar algo que presenciou durante a morte da mãe das irmãs, mas o seu cadáver encontrado no mar próximo a casa delas fazem com que as suspeitas com Rachel aumentem.

Porém, nada é o que parece e… Bem, é melhor deixar para lá, pois até os mais astutos, que adoram criar possibilidades para a resolução de todo o mistério que vê em um filme do gênero, vão se contorcer depois de serem pegos de surpresa por conta da revelação entregue no último ato do filme. E até quem assistiu “Medo” não vai conseguir se livrar da surpresa preparada, embora uma outra que também é reservada para o fim seja antecipada por estes nos primeiros minutos de filme. Mas algumas sequências bem conduzidas pelos irmãos Guard, com exceção das aparições inconvenientes de um trio de crianças, garantem bons sustos e compensam os fãs da obra anterior. Merecia um maior êxito comercial.

Título Original: The Uninvited
Ano de Produção: 2009
Direção: Charles Guard e Thomas Guard
Elenco: Emily Browning, Arielle Kebbel, David Strathairn, Elizabeth Banks, Jesse Moss, Kevin McNulty e Maya Massar.
Nota: 7.0

PONTO CRÍTICO FEV
Saudações!

Confesso que estava bem ansioso por esta edição do Ponto Crítico, pois o mês de fevereiro foi aquele marcado por vários lançamentos que tiveram ao menos uma indicação ao Oscar. Saber a média que cada um dos títulos no quadro acima (clique nele para melhor visualização) com base na nota de cada um dos blogueiros participantes é interessante. Embora “O Leitor” tenha sido o filme assistido e avaliado por todos os colaboradores, quem se saiu melhor foi “O Lutador”, com incrível aprovação de 87%. Ambos os dramas receberão resenhas em breve por aqui. Particularmente, o mais legal foi ver os meus dois filmes prediletos do ano em boas colocações, sendo “Dúvida” (com 82%) e “Rumba” (com 84%). Mas nem tudo no mês de fevereiro foi positivo, e isto se reflete nas baixas médias de “As Testemunhas” (que também em breve será comentado aqui no blog) e “Noivas em Guerra“.

O restante é bom vocês. Até a próxima edição!

Perdido Pra Cachorro
Uma produção onde a história é centrada em personagens endinheirados em que conhecem as coisas boas e simples da vida abandonando as futilidades que o dinheiro compra até que é bem comum hoje em dia. Mas encenar isto usando cachorros como protagonistas trás uma diferença bem gritante. É por isto que o descompromissado “Perdido Pra Cachorro” (é incrível como uma equipe de marketing de qualquer distribuidora que seja sempre pensa em incluir o “pra cachorro” para um filme canino) acaba nos divertindo, mesmo que Raja Gosnell não seja um bom diretor.

Jamie Lee Curtis, que felizmente não se aposentou como diziam algumas especulações, vive a dona da chihuahua Chloe (voz de Drew Barrymore), Viv. A cadela tem um tratamento que muitos humanos não têm: ela usa colares de diamantes, caras roupas caninas, sua alimentação é balanceada, faz exercícios e outras coisas para cães frescos. Dá que Viv precisa viajar e não pode levar a sua chihuahua consigo, deixando ela sob a responsabilidade da sua sobrinha Rachel (Piper Perabo, de “Assunto de Meninas”). Não querendo ficar presa na mansão da sua tia por uma semana, Rachel decide viajar para o México com as suas melhores amigas. E é por lá que Chloe também vai e acaba se perdendo. Durante a jornada de volta à Beverly Hills, ela faz amizade com um pastor alemão abalado por algo que aconteceu em seu passado (voz de Andy Garcia) e é procurada pelo chihuahua Papi (voz de George Lopez), cãozinho do jardineiro de Viv, Sam (Manolo Cardona), que também ajuda na busca pela cadela perdida.

O que diferencia essa realização de Raja Gosnell da mediocridade do seu currículo, que também confere os dois “Scooby-Doo”, é o elenco e produção, uma fusão de mexicanos e americanos. A mencionada diferença que há ao ver a premissa sendo protagonizadas por cães, e não por humanos, também conta como ponto positivo. Mas o recurso de animais falantes não se sustenta a todo momento por certa ausência de encanto na produção, embora ela tenha adquirido muito sucesso em termos comerciais e que Barrymore, Garcia e Lopez estejam impecáveis no trabalho de dublagem. Basta recordar do admirável trabalho de Chris Noonan em “Babe – O Porquinho Atrapalhado” para chegarmos a conclusão de que “Perdido Pra Cachorro” poderia ser muito melhor.

Título Original: Beverly Hills Chihuahua
Ano de Produção: 2008
Direção: Raja Gosnell
Elenco: Piper Perabo, Jamie Lee Curtis, Manolo Cardona e vozes de Drew Barrymore, Andy Garcia, George Lopez, Edward James Olmos e Luis Guzmán.
Nota: 6.0