Substitutos
29/10/2009

Reconhecido pelo eficiente “Breakdown – Implacável Perseguição”, thriller de ação estrelado por Kurt Russell, o americano Jonathan Mostow não foi capaz de mostrar a que veio com os seus ambiciosos projetos posteriores, que incluiu o decepcionante “O Exterminador do Futuro – A Rebelião das Máquinas”. Sem investir em nada no cinema desde a fita que fez Arnold Schwarzenegger reprisar o seu famoso Terminator pelo valor de 30 milhões de dólares, Mostow agora volta com “Substitutos”, uma ficção-científica promissora. O resultado, entretanto, causa frustração.
A história, ambientada em um futuro não muito distante, se baseia em uma sociedade composta por robôs. Conhecidos como Substitutos, eles se movimentam a partir do momento em que os humanos se conectam a eles. Essa evolução fez com que alguns índices sempre preocupantes, como o da violência, sofressem uma queda quase total. Porém, alguém conspira contra essa condição, restando ao agente do FBI Tom Greer (Bruce Willis) e a sua parceira Peters (Radha Mitchell, sem muito o que fazer), conectados em seu Substitutos, desvendarem quem está por trás dos assassinatos tanto das Máquinas quanto pela pessoa por trás dela.
Para deixar as coisas mais intrigantes os roteiristas John D. Brancato e Michael Ferris (que se baseiam em uma graphic novel de Brett Weldele e Robert Venditti) fazem com que o herói Tom solucione os crimes sem um Substituto e acrescenta uma pequena comunidade que se manifesta contra a artificialidade das máquinas viverem pelos indivíduos reclusos na segurança de seus lares. O problema é que “Substitutos” reserva uma revelação final tão fraca que é difícil não imaginar outras possibilidades bem melhores para que ele pudesse desenvolver. Se isto não bastasse, Mostow trabalha aqui com uma metragem bem curta, debilitando até mesmo as sequências de ação, breves e pouco imaginativas.
Título Original: Surrogates
Ano de Produção: 2009
Direção: Jonathan Mostow
Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Boris Kodjoe, James Francis Ginty, Jack Noseworthy, Devin Ratray, Michael Cudlitz, Ving Rhames e James Cromwell.
Nota: 5.0
Falando Grego
27/10/2009

Desde “Casamento Grego” a atriz Nia Vardalos parece não ter sido capaz de seguir adiante com um trabalho que não remetesse a este grande sucesso de 2002. De lá para cá seguiram-se uma curta e mal-sucedida temporada de “Casamento Grego – A Série”, que acompanhava os acontecimentos posteriores ao filme original e o discreto “Connie e Carla – As Rainhas da Noite”. Houve até mesmo o terrível “Eu Odeio o Dia dos Namorados“, sua estreia na direção. Um pouco antes ela protagonizou “Falando Grego”. O título já entrega semelhanças com “Casamento Grego”, mas o resultado é surpreendente agradável, onde a atriz retorna a sua boa forma e o casal Tom Hanks e Rita Wilson novamente assinam a produção.
Desta vez, Nia Vardalos é Georgia. Trata-se de uma mulher com os seus quarenta anos totalmente entediada com a própria vida. Muito por conta de sua profissão como guia turística na Grécia. Lidando sempre com os mesmos estereótipos de turistas ela decide que o tour narrado em “Falando Grego” seja o último antes de sua demissão. No entanto, o grupo que a acompanha, especialmente o simpático velhinho Irv (Richard Dreyfuss, o grande trunfo do filme), fará com que ela reveja a sua atual situação, especialmente no campo amoroso.
O roteiro de Mike Reiss (muito conhecido pela sua contribuição na série animada “Os Simpsons”) tem lá um ou outro momento superficial, mas ganha muito contando com a direção experiente de Donald Petrie, que realizou os divertidos “Miss Simpatia”, “Como Perder Um Homem em Dez Dias” e “Três Mulheres, Três Amores”. Com uma mistura irresistível de graça e ternura, o diretor garante um resultado que se aproxima não de “Casamento Grego”, mas de filmes como “Sob o Sol da Toscana”. Pode-se dizer que assim como Frances (personagem de Diane Lane), Georgia descobrirá através das adoráveis pessoas que a cercam transitando nas maravilhosas ruínas da Grécia que é preciso somente um pouco de otimismo para ver que a felicidade que sempre procura está ao seu redor – ou seguindo a tradição grega, a recuperação do seu kefi.
Título Original: My Life in Ruins
Ano de Produção: 2009
Direção: Donald Petrie
Elenco: Nia Vardalos, Alexis Georgoulis, Richard Dreyfuss, Alistair McGowan, Harland Williams, Rachel Dratch, Caroline Goodall, Ian Ogilvy, Sophie Stuckey, María Adánez, Brian Palermo, Jareb Dauplaise, Simon Gleeson, Natalie O’Donnell, Ian Gomez e Rita Wilson.
Nota: 8.0

O Cine Resenhas realizou recentemente a divulgação do longa brasileiro “Quanto Dura o Amor?”, do diretor Roberto Moreira. Agora, serão dados três convites (na compra de um ingresso com convite outro é fornecido gratuitamente) para os três primeiros visitantes que responderem para o e-mail cineresenhas@yahoo.com.br a quem pertencem as versões originais das canções “High and Dry”, “Without You” e “Nature Boy”, que em “Quanto Dura o Amor?” ganham a voz de Justine, personagem da Danni Carlos. Dica: as músicas podem ser ouvidas na página inicial do site do filme.
Participem!
Obs.: convites válidos de 2ª a 5ª feira (exceto feriados) enquanto o filme estiver em cartaz (exceto no Cinemark Iguatemi SP).
RESULTADO
Segue os três vencedores da promoção:
• Marcelo Ferreira – SP
• Pedro Tavares – RJ
• Diogo Novaes – RJ
Os convites já foram enviados aos três participantes. Todos responderam incorretamente, mas foram premiados por serem os primeiros a participarem através do e-mail. As respostas são: “Radiohead” (“High and Dry“), Harry Nilsson (“Without You“) e Nat King Cole (“Nature Boy“).
Obrigado pela participação de todos!

O Cine Resenhas realizou recentemente a divulgação do longa brasileiro “Quanto Dura o Amor?”, do diretor Roberto Moreira. Agora, serão dados três convites (na compra de um ingresso com convite outro é fornecido gratuitamente) para os três primeiros visitantes que responderem para o e-mail cineresenhas@yahoo.com.br a quem pertencem as versões originais das canções “High and Dry”, “Without You” e “Nature Boy”, que em “Quanto Dura o Amor?” ganham a voz de Justine, personagem da Danni Carlos. Dica: as músicas podem ser ouvidas na página inicial do site do filme.
Participem!
Obs.: convites válidos de 2ª a 5ª feira (exceto feriados) enquanto o filme estiver em cartaz (exceto no Cinemark Iguatemi SP).
RESULTADO
Segue os três vencedores da promoção:
• Marcelo Ferreira – SP
• Pedro Tavares – RJ
• Diogo Novaes – RJ
Os convites já foram enviados aos três participantes. Todos responderam incorretamente, mas foram premiados por serem os primeiros a participarem através do e-mail. As respostas são: “Radiohead” (“High and Dry“), Harry Nilsson (“Without You“) e Nat King Cole (“Nature Boy“).
Obrigado pela participação de todos!
Salve Geral
26/10/2009

Assim como ocorrido em “Última Parada 174″, de Bruno Barreto, “Salve Geral”, o mais recente longa-metragem de Sérgio Rezende (“O Homem da Capa Preta”, “Zuzu Angel”), acabou sendo massacrado pela crítica e público brasileiro por ser anunciado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura como o filme a representar o Brasil no Oscar 2010. Entre os outros pré-finalistas que também concorriam a essa chance estavam “Besouro”, “Budapeste”, “O Contador de Histórias”, “Feliz Natal”, “A Festa da Menina Morta”, “Jean Charles”, “O Menino da Porteira“, “Se Nada Mais Der Certo” e “Síndrome de Pinnochio – Refluxo”.
A razão pela elaboração do massacre verbal é uma só: “Salve Geral” é mais um produto audiovisual a exportar a violência presente no cotidiano brasileiro. Mas não é bem por aí. A verdade é que o espectador ainda esta convicto de que a nossa indústria de cinema prossegue com relatos ficcionais sobre a sórdida situação que sempre tomou a nossa sociedade. O retrato que “Salve Geral” tece sobre os incidentes comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) pode até não se desviar dessa impressão em um primeiro momento. Mas Rezende, com sua ampla experiência como cineasta, conduz o seu projeto para outros caminhos com a tensão que somente ele sabe produzir.
O drama acompanha Lucia (interpretada por Andréa Beltrão), viúva que se muda com o seu filho Rafael (Lee Thalor) para um bairro modesto de São Paulo por causa da grana curta. Se as aulas de piano que realiza já não são um problema pela falta de alunos as coisas em sua vida se agravam quando o seu filho é preso por cometer um assassinato após uma confusão que se envolveu em um racha. “Minha vida foi destruída em quinze segundos”, diz Rafa na prisão em uma das visitas que Lucia faz.
Como boa mãe, claro, resta a Lucia fazer tudo ao seu alcance para garantir a liberdade de seu filho ou ao menos reduzir a sua pena. Mas as decisões que comete são arriscadas. Mesmo formada em Direito ela nunca exerceu a carreira, tendo que contar com os auxílios da advogada de porta de cadeia Ruiva (Denise Weinberg, em forte desempenho). No entanto, Ruiva está ligada ao PCC, fornecendo as mais diversas informações a alguns líderes e integrantes do partido reclusos na mesma penitenciária que Rafa. Não tenho outra escolha para libertar o seu filho, Lucia se envolve nestas conspirações de presidiários contra as autoridades e com um amor bandido, o Professor (Bruno Perillo).
O que “Salve Geral” realiza é a fusão dessa premissa fictícia com “O Dia em que São Paulo Parou”. Neste caso, se trata do Dia das Mães do ano de 2006, onde presos provocaram o terror na capital paulista ao receberem indulto. O resultado concebido pela facção criminosa foi catastrófico: ônibus incendiados, bancos e comércios de cada bairro paulistano destruídos e a morte de dezenas de pessoas. Este acontecimento é registrado com precisão pelas câmeras de Rezende através do caos provocado na data comemorativa e o deserto que se tornou São Paulo no dia posterior aos ataques. Mas o que se destaca é a luta de uma mãe pelo seu filho no centro deste pânico. A dor de Lucia é a mesma de tantas mães certamente sentiram naquele dia de horror. E isto é o que diferencia “Salve Geral” do ingratos comentários.
Título Original: Salve Geral
Ano de Produção: 2009
Direção: Sérgio Rezende
Elenco: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Bruno Perillo, Eucir de Souza, Kiko Mascarenhas, Michel Gomes, Giulio Lopes, Guilherme Sant’anna, Julio Cezar e Chris Couto.
Nota: 7.5
Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

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