Filme Vs. Filme - Sabotagem Vs. O Agente Secreto
Alfred Hitchcock foi reconhecido como o grande Mestre do Suspense após a sua morte. E ele continua sendo exaltado pelos cinéfilos com este título. Com grandes filmes no curriculum, Hitchcock também é famoso pelas influências que causou em diretores como Brian De Palma e M. Night Shyamalan. Há muitos outros também que ao menos em uma oportunidade realizaram uma obra com muitas referências as mais famosas realizações do diretor nascido na Inglaterra, como Robert Zemeckis, Curtis Hanson, John Carpenter, Pedro Almódovar, entre outros. No entanto, a carreira de Hitchcock nem sempre foi feita de acertos, especialmente no que se diz respeito a sua fase britânica. “Sabotagem” (ou “O Marido Era O Culpado”, como é conhecido por muitas pessoas) é o melhor filme do diretor antes de sua fase americana, mas a narrativa recebeu melhoras em 1996 por Christopher Hampton com o seu “O Agente Secreto”. Conheça a razão e um pouco mais sobre ambos os títulos baseados em um romance de Joseph Conrad a seguir.

Sabotagem / O Marido Era o CulpadoSABOTAGEM / O MARIDO ERA O CULPADO

“O Marido Era o Culpado” foi o primeiro título recebido quando este filme com roteiro de Charles Bennett (que por sua vez adaptou o livro de Joseph Conrad) chegou no Brasil. Já a distribuidora Cine Art alterou para “Sabotagem” quando o lançou em DVD em uma coletânea que também vinha com “Agente Secreto” e “Assassinato”. Há também no mercado uma edição que trás somente “Sabotagem”. Na história o ator Oskar Homolka (que foi indicado ao Oscar por “A Vida de um Sonho”, de George Stevens) é Karl Anton Verloc, um proprietário de um cinema junto com a sua esposa Sylvia (Sylvia Sydney). Mas ele é também um integrante de um grupo de sabotadores prestes a explodir um local em Londres. Para não deixar seus rastros na execução do plano, Verloc usa o pequeno Stevie (Desmond Tester), irmão de Sylvia, para carregar consigo uma bomba para que seja deixada em um determinado local da cidade. Mas as coisas não acontecem como planejada e as consequências rendem uma das sequências mais suspicazes já concebidas em toda a carreira de Alfred Hitchcock, embora seja o melhor de poucos outros pontos fortes que o filme confere.

Título Original: Sabotage
Ano de Produção: 1936
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Oskar Homolka, Sylvia Sidney, Desmond Tester, John Loder e Joyce Barbour.
Cotação: 3 Stars

O Agente SecretoO AGENTE SECRETO

“O Agente Secreto” de Christopher Hampton está relacionado como uma nova versão do filme de Alfred Hitchcock, “Sabotagem”. Mas não se trata de uma refilmagem direta e sim uma adaptação atualizada do romance de Conrad. E isto diferencia esta produção de 1996, onde Hampton (mais conhecido como roteirista em filmes como “Desejo e Reparação” e “O Segredo de Mary Reilly”) oferece uma nova identidade a história. Ela é basicamente a mesma do filme de Hitchcock, com o diferencial de ter rumos distintos. O papel de Verloc agora cabe a Bob Hoskins, enquanto Patricia Arquette faz a sua frágil esposa. O irmão dela, Stevie, tem problemas mentais e aqui é incorporado por Christian Bale. Nesta versão praticamente tudo deu certo com grande sucesso, indo da tensão presente na trama, a reconstituição de época e o fabuloso papel que a música de Philip Glass exerce no suspense. Mas quem rouba a cena é Robin Williams. No papel do Professor, um criador de bombas, o ator está assustador!

Título Original: The Secret Agent
Ano de Produção: 1996
Direção: Christopher Hampton
Elenco: Bob Hoskins, Patricia Arquette, Gérard Depardieu, Jim Broadbent, Christian Bale, Roger Hammond, Eddie Izzard e Robin Williams.
Cotação: 4 Stars

Hairspray

E o Cine Resenhas não poderia se despedir do mês de junho sem a terceira edição do Filme Vs. Filmes, uma seção que aparecerá mensalmente por aqui. Mas se nos comentários anteriores o destaque foi para produções cujas refilmagens não atingiram a mesma qualidade da obra original, vamos mudar um pouco o quadro agora. Embora “Hairspray – E Éramos Todos Jovens” e “Hairspray – Em Busca da Fama” estejam relacionados com uma mesma cotação vale ressaltar que a refilmagem de Adam Shankman acaba levando a melhor na batalha com o filme de John Waters. Saiba o porquê a seguir.

Hairspray - E Éramos Todos Jovens

HAIRSPRAY – E ÉRAMOS TODOS JOVENS

Essa comédia de John Waters se passa no início da década de 1960 e o centro da ação é a atração televisiva “Corny Collins Show”. É para este programa que a garota Tracy Turnblad (Ricki Lake) tenta a todo custo participar para mostrar que é boa de dança. A história do próprio Waters, que evolui muito pouco, rendeu para si algum destaque comercial, pois foi o seu primeiro filme a chamar a atenção um pouco maior de público. E esse reconhecimento foi tamanho que até a Broadway fez uma montagem musical com base nesta produção. É um filme divertido, muito fiel ao espírito sessentista e que atinge bons momentos de humor, como o clímax com a bomba relógio dentro da peruca da Deborah Harry, que aqui faz a vilã Velma Von Tussle.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 1988
Direção: John Waters
Elenco: Ricki Lake, Divine, Jerry Stiller, Deborah Harry, Michael St. Gerard, Leslie Ann Powers, Mink Stole, Shawn Thompson, Alan J. Wendl, Joann Havrilla, Sonny Bono, Ruth Brown e Colleen Fitzpatrick.
Cotação: 3 Stars

Hairspray - Em Busca da FamaHAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA

Se não fosse o excesso de alguns números musicais (todos envolvendo o amor dos personagens de Nikki Blonsky e Zac Efron e aquela da passeata liderada por Queen Latifah são enjoativos) o remake “Hairspray – Em Busca da Fama” seria perfeito. O diretor Adam Shankman, que se mostrou eficiente no comando de “Um Amor Para Recordar” e “A Casa Caiu”, se inspirou bastante na história de John Waters (que aparece aqui em ponta relâmpago) e seguiu a tradição de trazer Edna Turnblad no corpo de um ator sob pesada maquiagem (John Travolta herda o papel que antes nos cinemas fora do travesti Divine), mas foi mais feliz em trazer para a sua realização as letras musicais da montagem na Broadway. O elenco é perfeito e o desfecho, com quase todos os personagens cantando “You Can’t Stop the Beat”, é um dos mais irresistíveis da década.

Título Original: Hairspray
Ano de Produção: 2007
Direção: Adam Shankman
Elenco: Nikki Blonsky, John Travolta, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Amanda Bynes, James Marsden, Queen Latifah, Zac Efron, Brittany Snow, Elijah Kelley e Allison Janney.
Cotação: 3 Stars

Filme Vs. Filme
O Cine Resenhas não poderia passar os últimos dias deste mês de maio sem publicar um novo embate entre duas obras cinematográficas. Em abril os longas selecionados foram “Nikita – Criada Para Matar” e “A Assassina”. A versão original de Luc Besson e a refilmagem comandada por John Badham provavelmente não foi muito assistida entre os visitantes. Mas, desta vez, os longas são bem populares e se trata novamente uma obra original e a sua refilmagem. O primeiro filme é “Primavera Para Hitler”, comédia de Mel Brooks vencedora do Oscar de melhor roteiro original. Quem vai combatê-lo nesta edição é “Os Produtores”, o remake que recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro que também usa a adaptação musical para a Broadway como base.

DVD - Primavera Para HitlerPRIMAVERA PARA HITLER

Mel Brooks, que um dia já foi considerado um dos grandes diretores americanos de filmes cômicos, estreiou nos cinemas com “Primavera Para Hitler”. Não é tão hilariante e brilhante quanto “Alta Ansiedade” ou “O Jovem Frankenstein”, mas em matéria de clássicos do gênero o filme tem um lugar reservado. A história todo mundo sabe, inclusive aqueles que ainda não assistiram o longa. É sobre um produtor teatral, Max Bialystock (Zero Mostel), que consegue financiamento para as suas peças realizando desejos de velhas endinheiradas. Ao conhecer o contador Leo Bloom (Gene Wilder) armam um golpe que os deixarão podres de rico: produzir uma peça horrenda e lucrar com o seu fracasso, pois com poucas apresentações ficam restando um alto valor do investimento dos patrocinadores. E daí nasce o musical teatral “Primavera Para Hitler”. A sequência de testes com vários candidatos a Hitler é antológica.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 1968
Direção: Mel Brooks
Elenco: Zero Mostel, Gene Wilder, Lee Meredith, Dick Shawn, Kenneth Mars e Christopher Hewett.
Cotação: 3 Stars

DVD - Os ProdutoresOS PRODUTORES

A imprensa, especialmente a nacional, até tentou levantar os ânimos do público para assistirem “Os Produtores”, afirmando que “Primavera Para Hitler” não passava de uma comédia datada e que esta mais recente versão era superior em vários aspectos. Mas se o filme de Mel Brooks não era exatamente brilhante, a refilmagem de Susan Stroman (que nunca mais realizou um filme após o fracasso comercial de sua obra) consegue ser pavorosa. A história é a mesma, mas com uma modificação gritante, sendo os diálogos cantados. A idéia de tornar não só a encenação teatral dentro do filme um musical foi retirada da adaptação para a Broadway, um sucesso produzido por Brooks e Thomas Meehan. Nathan Lane e Matthew Broderick repetem os seus papéis dos palcos, protagonizando um filme que não confere sequer uma cena cantada memorável. É sem graça, extremamente sonolento. Mas se os personagens de Lane e Broderick no fim nas contas não conseguem tornar a peça um fracasso a de se louvar o feito de Susan Stroman, que entrega o pior musical de toda a história do cinema, talvez perdendo somente para “Mamma Mia!”.

Título Original: The Producers
Ano de Produção: 2005
Direção: Susan Stroman
Elenco: Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Ferrell, Roger Bart, Andrea Martin e Jon Lovitz.
Cotação: 1 Star

filme-vs-filme1
Esse mês de abril aqui no blog tem sido repleto de resenhas. As dez últimas postagens comprovam isso. Mas como estava elaborando novas idéias assim que o Cine Resenhas completou os seus dois anos de vida, hoje chega um quadro que pretendo apresentar mensalmente, mas sem uma data estabelecida. A idéia não é original, pois já a vi em outros endereços da Internet. É uma espécia de confronto que vou arquitetar entre dois longas com algo muito grande em comum. Na primeira edição é uma batalha entre uma obra francesa original e a sua rápida atualização americana. A intenção é somente montar uma pequena impressão de ambas as fitas e deixar para vocês selecionarem qual é o melhor através dos comentários. Então vamos lá.

nikitaNIKITA – CRIADA PARA MATAR

Embora já tenha adquirido grande prestígio através de “Imensidão Azul”, Luc Besson só veio chamar a atenção na tarefa de fazer cinema de ação com este “Nikita – Criada Para Matar”, o quarto longa-metragem de sua carreira. E ao contrário da enxurrada de roteiros pouco inspirados que pari atualmente, ele fez de Nikita uma personagem notável dentro de uma narrativa exemplar. Ela, interpretada pela linda Anne Parillaud, é uma jovem delinquente que tem a oportunidade de recomeçar a vida quando capturada pela polícia. Dá que a jovem aperfeiçoa as suas técnicas, aprende etiqueta e se transforma em uma mulher com uma aparência de cair o queixo. Só que ao engatar um namoro com o caixa de um mercado quando ganha liberdade é submetida a várias missões de espionagem, pois este foi um acordo que manteve com o Serviço de Inteligência que a treinou. O resultado é um filme com sequências de ação invejáveis pela tensão e talento que Besson imprime a cada uma delas e que enriquece ainda mais pelo cuidado ao qual a personagem central é desenvolvida.
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a-assassinaA ASSASSINA

Antes do “Psicose” de Gus Van Sant os americanos já eram sacanas na hora de comprar os direitos de um longa e refilmá-lo. A versão atualizada de John Badham é uma cópia carbono para lá de descarada. E olha que o intervalo entre o seu filme e o de Besson é de três anos. Mas Hollywood precisava de mulheres que fossem tão boas de mira quanto o detetive John McClane ou John Rambo. Mas o tiro saiu pela culatra. Ainda assim, “A Assassina” vence na prova dos obstáculos cinematográficos. Bridget Fonda, que é linda e que segura uma arma tão bem quanto Anne Parillaud, é a Nikita americana. A sua personagem passa pelas mesmas situações vistas no filme de Besson e cruza pelas mesmas pessoas. Até o Victor, O Faxineiro (um personagem antológico) dá o ar da graça. Mas ao contrário do desfecho pessimista do longa de 1990, a nossa “assassina” é presenteada com um merecido e tipicamente final hollywoodiano. Mas não vamos ser ranzinzas, pois qualquer ser que seja fã de Nina Simone merece uma chance.

Título Original: Nikita
Ano de Produção: 1990
Direção: Luc Besson
Elenco: Anne Parillaud, Tchéky Karyo, Marc Duret, Patrick Fontana, Alain Lathière e Jean Reno.
Cotação: 4 Stars

Título Original: Point of No Return
Ano de Produção: 1993
Direção: John Badham
Elenco: Bridget Fonda, Gabriel Byrne, Dermot Mulroney, Anne Bancroft, Michael Rapaport e Harvey Keitel.
Cotação: 3 Stars