10 Sequências Que Não Deveriam Existir
10/10/2009
Muitos cinéfilos se queixam que o cinema contemporâneo muito se sustenta através de sequências, especialmente em Hollywood. E é uma reclamação que de fato precisa ser avaliada, pois ao contrário de décadas atrás, que sempre víamos continuações que chegavam até mesmo a superar o filme original (como é considerado ter se sucedido com séries de grande prestígio), a indústria hoje não encontrou maneiras mais originais de sobreviver do que em adaptar aquilo que foi garantia de sucesso em outras gerações e especialmente dar andamento a um produto que rendeu boas cifras em sua estreia na tela grande. Mas a qualidade nem sempre é garantida, como pode ser visto através da lista das piores sequências já vistas pelo blog.

- Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, 2008
Depois de quase duas décadas em planejamento finalmente o filme foi lançado no ano passado. Mas nem o retorno de Steven Spielberg e Harrison Ford foram capazes de amenizar o gosto amargo que esta quarta aventura deixa. Se não bastasse o ritmo frouxo da ação, o roteiro ainda cria uma trama para lá de esquecível e patética. Sem dizer Cate Blanchett, no pior momento de sua bem-sucedida carreira. Leia a resenha completa clicando aqui.

- Instinto Selvagem 2, 2006
Uma sequência para “Instinto Selvagem” até que não era uma má ideia. Bem, isto até Paul Verhoeven desistir de dirigi-lo e o filme, que mal saiu do papel, enfrentar um monte de problemas no tribunal (Sharon Stone chegou a processar os produtores). E olha que o filme quase foi estrelado por Ashley Judd e Kurt Russell! Mas tudo se resolveu e o resultado não poderia ser diferente: um fiasco em todos os sentidos. Nem a (pouca) nudez da atriz valeu a pena.

- Mulher Solteira Procura 2, 2005
A subestimada obra-prima de Barbet Schroeder não merecia uma sequência tão vergonhosa. Para falar a verdade, o filme nem se trata de uma sequência direta do original e sim uma obra posterior que emula praticamente tudo dele. É a mesma história, a ambientação do clímax também, mas com a diferença de que o suspense foi trocado pelo constrangimento.

- Legalmente Loira 2, 2003
A ótima e simpática comédia de Robert Luketic parecia uma homenagem a aquelas que são conhecidas como “loiras burras”. Mas se nos primeiros minutos pensamos que a trama vai ser conduzido através das futilidades que Elle Woods (Reese Witherspoon) aprecia aos poucos vai se tornando uma diversão inteligente de uma loira que cursa direito e que move tudo ao seu favor com o conhecimento… das futilidades que aprecia. Já na sequência, o diretor Charles Herman-Wurmfeld (do elogiado “Beijando Jessica Stein”) arma um desastre de proporções gigantescas com uma história tolinha de Elle em defesa dos animais, inclusive da mãe do seu cachorrinho que, por sua vez, é gay. Por favor…

- MIB – Homens de Preto 2, 2002
Uma química inusitada aconteceu com Tommy Lee Jones e Will Smith em “MIB – Homens de Preto”. Se isso já não era um ótimo atrativo o filme ainda contava com efeitos especiais e maquiagem de tirar o fôlego. Tudo para sustentar uma aventura de ficção para lá de divertida e bem-humorada. Nada disto se repete em “MIB – Homens de Preto 2″, comandado pelo mesmo Barry Sonnenfeld do sucesso de 1997. E apesar das boas curvas, Lara Flynn Boyle não merecia pagar o mico que foi o de viver a vilã.

- A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras, 2000
“A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras” também poderia entrar na lista dos filmes mais oportunistas já feitos. Se aproveitando do surpreendente fenômeno da obra assustadora da dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, a sequência foca um grupo de jovens que vão à floresta que marcaram o filme anterior para estudarem se de fato a Bruxa de Blair existe.

- Ring 2 – Chamado, 1999
Já admiti que considero “O Chamado” de Gore Verbinski um filme superior em todos os sentidos em comparação de “Ring – O Chamado”, o cult oriental que o inspirou. Mas o filme de Hideo Nakata também era assustador, embora em uma potência menos elevada. Mas nada se salva em “Ring 2 – O Chamado”. Raramente se vê uma história sendo executada de maneira tão desenfreada. Ou mesmo uma vilã que parece ter sido confeccionada com Durepox.

- A Experiência 2 – A Mutação, 1998
É verdade que “A Experiência” de 1995 não é uma obra cultuada como deveria, mas este que é o melhor filme de Roger Donaldson foi uma excelente ficção B com os nomes de peso de Ben Kingsley, Forest Whitaker e Alfred Molina no topo dos créditos. E ainda tinha a maravilhosa Natasha Henstridge, cuja carreira estacionou definitivamente no exato momento em que topou protagonizar a risível continuação.

- O Rei Leão 2 – O Reino de Simba, 1998
“O Rei Leão”, eterno jovem clássico que povoa a mente de todo o público, também se tornou vítima de uma sequência muito, muito ruim. Enquanto a produção era uma animação emocionante e até mesmo bem pesada a continuação acompanha Kiara, leoa que enfrenta os seguidores do terrível Scar do filme de 1994. Totalmente insípido.

- Halloween III – A Noite das Bruxas, 1982
A série “Halloween” pode até ir bem das pernas sem a presença de Laurie Strode. Mas sem Michael Myers não dá! Mas vocês acreditam que isso já aconteceu? Pois é. Tudo pode ser apreciado em “Halloween III”, que se trata de uma história maluca onde crianças são mortas ao vestirem máscaras do Dia das Bruxas.
Dez inesquecíveis mocinhas do cinema
20/09/2009

Com Scout Taylor-Compton vivendo a nova Laurie Strode na sequência de “Halloween – O Início” e Alison Lohman gritando ainda nas salas brasileiras com “Arraste-me Para o Inferno” o Cine Resenhas faz questão de se inspirar nestas mais novas donzelas em perigo para elaborar a sua relação de dez mocinhas preferidas do gênero. Entre armadilhas, perseguições e muitos gritos, as heroinas do terror e suspense são as personagens que o público mais se preocupa em torcer.

Marion Crane (Janet Leigh), a vítima da mamãe Bates em "Psicose"

Carrie White (Sissy Spacek), pobre garota alvo de humilhações em "Carrie - A Estranha"

Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), mocinha perseguida pelo seu próprio irmão ao longo da franquia "Halloween"
Alice (Adrienne King), a inocente monitora do acampamento Crystal Lake em "Sexta-feira 13"

Liz Blake (Nancy Allen), garota de programa perseguida por estranha com navalha em "Vestida Para Matar"

Nancy Thompson (Heather Langenkamp), inocente garota assobrada por Freddy Krueger em seus pesadelos em "A Hora do Pesadelo"

Sidney Prescott (Neve Campbell), alvo principal de serial killer mascarado na trilogia "Pânico"

Julie James (Jennifer Love Hewitt), assombrada pelo seu passado recente em "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado"

Ginger e Brigitte Fitzgerald (Katharine Isabelle e Emily Perkins), as irmãs vítimas de maldição na trilogia "Possuída"

Erin (Jessica Biel), mocinha fugindo de Thomas Hewitt na refilmagem de "O Massacre da Serra Elétrica"
Os Dez Melhores Filmes de 2009 – 1º Semestre
13/07/2009

Chegando o mês de julho diversos blogueiros divulgam a sua lista dos dez filmes favoritos lançados no Brasil ao longo do primeiro semestre do ano. O Cine Resenhas não realizou tal publicação em 2008 e 2007, mas estará agora antecipando os melhores títulos exibidos em telas nacionais. Mesmo assim, é uma lista que sofrerá muitas modificações até o final do ano, já que ainda teremos cinco meses pela frente de interessantes lançamentos. Até o momento assisti quarenta e cinco filmes, mas o número deve sofrer uma grande modificação nas próximas semanas.

10. Verônica, de Maurício Farias

09. O Leitor, de Stephen Daldry

08. Passageiros, de Rodrigo García

07. O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme

06. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, de P. J. Hogan

05. Há Tanto Tempo que Te Amo, de Philippe Claudel

04. O Visitante, de Tom McCarthy

03. Simplesmente Feliz, de Mike Leigh

02. Rumba, de Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy

01. Dúvida, de John Patrick Shanley
Menção: “O Lutador”, de Darren Aronofsky.

E chegamos a mais uma edição agora mensal de top dez. Só que desta vez não serão destacados longas, mas sim nomes da indústria cinematográfica. Não se trata de uma seleção positiva, no entanto. Aqui destacarei dez nomes que definitivamente não deveriam existir no cinema. Apesar de eu fazer “arte” direto com alguns atores e atrizes alguns devem saber que eu detesto fazer muitas críticas negativas enquanto ao desempenho de um intérprete. Mesmo que haja centenas de celebridades que recebem cachês milionários por um único filme, acredito que está é uma profissão que requer muita dedicação e até mesmo coragem. Um passo em falso pode destruir tudo. Se decorar falas já é um processo difícil imagina como deve ser complexo incorporar um personagem que de fato existiu. Sem dizer quando alguns mudam os trajetos, o físico, a voz, etc. Mas o blogueiro aqui não pode negar que fica bem revoltado quando os dez nomes comentados abaixo aparecem em um filme. É frustração na certa! Mesmo assim, optei por fazer dois destaques ao falar sobre cada um deles. “The horror! The horror!”, o famoso diálogo de “Apocalipse Now”, serve para identificar aquele momento mais pavoroso dos seres. Já “Save-me!” eu usei para lembrar que nem sempre uma carreira é feita só de erros – ou não. Mas espero que vocês não se revoltem contra mim por conta da seleção. É somente uma postagem descompromissada para também tentar saber sobre os atores e atrizes que vocês odeiam. Assim, não deixem de comentar!
James Franco
Esse daqui é o nosso Bruno Ferrari americano. E não somente de aparência, pois James Franco parece aqueles atorzinhos vindos do seriado “Malhação”. E não me venham dizer que este poste está com a carreira em evolução, pois trabalhar com Gus Van Sant, o diretor do terrível “Últimos Dias” e da refilmagem de “Psicose”, para mim não significa nada.
The horror! The horror!: a lista é enorme, mas fico com “Sonny, O Amante”, pois o ator estragou totalmente o primeiro e promissor trabalho de Nicolas Cage na direção.
Save-me!: poderia considerar “O Sacrifício” e “O Amor Não Tira Férias”, já que suas participações em ambos não ocupam um minuto de metragem, mas até que ele não compromete em “O Último Suspeito”.
Leonardo DiCaprio
Antes do mega sucesso de “Titanic” Leonardo DiCaprio já arrancava suspiros de adolescentes que faziam fila nas vídeo locadoras em busca de “Romeu e Julieta” e “O Diário de Um Adolescente” (minhas irmãs viviam relocando ambos os filmes). Ele até que tentou se desviar dessa sua imagem de ídolo teen trabalhando com diretores como Woody Allen, Danny Boyle, Steven Spielberg e Martin Scorsese, mas de nada adiantou: o ator consegue ser pior do que esses galãs vagabundos de novela das oito. O fato de Scorsese estar transformando-o em um novo Robert De Niro das parcerias só comprovam que a velhice pode ser um destino cruel.
The horror! The horror!: praticamente todos os seus desempenhos.
Save-me!: sua ponta inútil em “Relação Indecente”.
Martin Lawrence
As tiras humorísticas do jornal paulistano Agora conseguem ser mais hilariantes do que qualquer uma das performances cômicas de Martin Lawrence, que já trabalhou com outro ilustre talento da lista no filme “Nada a Perder”, a ameba do Tim Robbins. As suas palhaçadas em cena além de não arrancarem uma risada sequer ainda são capazes de levar qualquer um a tomar um delicioso cochilo.
The horror! The horror!: até hoje me pergunto o porquê do grande Tom Wilkinson ter trabalhado em “Loucuras na Idade Média”, talvez a pior comédia da década!
Save-me!: “O Bicho Vai Pegar”, pois as animações em DVD trazem recursos para trocar o idioma da dublagem.
Russel Crowe
Se é preocupante ver Martin Scorsese investindo demasiadamente em Leonardo DiCaprio, então o que dizer de Ridley Scott? Ele estará pela quinta vez trabalhando com Russel Crowe em uma nova aventura do personagem “Robin Wood”. Será que falta bons atores no mercado para diretores consagrados do cinema trabalharem? Enfim, Crowe – O Jogador de Aparelhos Telefônicos pode ser considerado aquele ator que não transmite emoção alguma para a sua platéia, se limitando a fazer caras ou de cão abandonado ou de valentão drogado do colégio, vide “Uma Mente Brilhante” e “Skinhead – A Força Branca”.
The horror! The Horror!: “Gladiador”, cujo herói Maximus parece estar morto desde a primeira cena.
Save-me!: “Los Angeles – Cidade Proibida”, ainda que seja o menos interessante de todo o elenco de peso.
Tim Robbins
A diva Susan Sarandon merecia estar casada com um ator que estivesse ao menos a altura de seu talento. Tim Robbins já incorporou personagens que pela sinopse nos chama a atenção de imediato. No entanto, quando vemos o trabalho do ator nas telas parece que estamos diante de algo totalmente vazio. É um ator nada carismático e que investe em participações pequenas para lá de constrangedoras, como visto em “O Segredo de Charlie” e “Guerra dos Mundos”.
The horror! The horror!: “Código 46″, onde interpretou um detetive que jurava que fosse um andróide.
Save-me!: “Um Sonho de Liberdade”, um filme irretocável.
Carmen Electra
Eu juro que você também entraria em uma lista com o título “As Mais Belas do Cinema”, mas como o tema aqui é a falta de talento não posso me esquecer de você, Carmen. O pior é que ela deve saber que a única razão em se ver os seus filmes é os seus atributos físicos. Mas não se esqueça que com o passar dos anos tudo despenca, especialmente os seios, viu?
The horror! The horror!: com exceção do seu corpo escultural, tudo!
Save-me!: okay! Eu amo ela na fantástica sequência de abertura em “Todo Mundo em Pânico”. Ela saindo de uma piscina em “A Filha do Chefe” também é bom.
Heather Graham
Para falar a verdade eu até gosto da Heather Graham. Ela com os seus patins em “Boogie Nights – Prazer Sem Limites” é um fetiche! Sem dizer que há muitos longas bons em sua filmografia. Mas o que compromete é a sua burrice na hora de escolher papéis, a maioria repetitivos, unidimensional e patéticos. É aquele tipo de atriz talentosa e absurdamente bela que tinha tudo para fazer a carreira decolar, mas que não acerta na hora de escolher as suas personagens.
The horror! The horror!: “Cake – A Receita do Amor” (comédia romântica que pode provocar desentendimentos se assistido a dois) e “Reencarnação” (calma! não é aquele com a Nicole Kidman).
Save-me!: como a prostituta Mary Kelly em “Do Inferno”.
Hilary Duff
As patricinhas de plantão sempre gostam de tornar ícone uma estrela de quinta que não sabe nem cantar bem e muito menos atuar. É o caso de Hilary Duff, a jovem com cara de cavalo que conseguiu fama dando vida à “Lizzie McGuire”. Ao menos o tempo está se encarregando de transformá-la em uma celebridade esquecível.
The horror! The horror!: “A Nova Cinderela”. Eca!
Save-me!: gosto de sua personagem atrevidinha em “Guerra S.A. – Faturando Alto”, embora se trate de um filme muito ruim.
Rachel Weisz
Uma das cenas mais involuntariamente engraçadas que já vi acontece em “Fonte da Vida”. Quando Hugh Jackman encontra Rachel Weisz no tempo presente fora de sua residência em uma noite nevada ela diz que está ali, naquele frio tremendo, porque perdeu a sensibilidade. Na verdade o que ela perdeu foi o talento – se é que um dia ela já teve. Mas nada consegue ser mais lamentável do que a escolha de Fernando Meirelles para a personagem principal de “O Jardineiro Fiel”: o diretor selecionou Weisz enquanto Nicole Kidman e Charlize Theron estavam disponíveis. E, de quebra, a Academia deu um Oscar para ela. Tosco!
The horror! The horror!: “A Inveja Mata”, uma comédia tão insossa quanto ela.
Save-me!: “A Múmia” e “O Retorno da Múmia”, mas sem fazer trocadilhos com a atriz!
Sofia Coppolla
Eu já não gosto muito da Sofia Coppolla diretora. Até agora não me entusiasmei em ver “Maria Antonietta”; “Encontros e Desencontros” é okay e “As Virgens Suicídas” para mim é um filme chatíssimo! Mas como atriz ela se supera. Basta conferir “O Poderoso Chefão 3″ e vê-la se atirando como uma largatixa nas escadarias que marcam o cenário do clímax do filme do seu pai. E em pensar que Winona Ryder iria ser a Mary Corleone…
The horror! The horror!: “O Poderoso Chefão 3″
Save-me!: o adorável “Peggy Sue – Seu Passado a Espera”, onde Sofia interpreta a irmã da Kathleen Turner.
Ficou faltando: Nastassja Kinski e John Cusack.
Dia das Mães – 10 mães cinematográficas
10/05/2009
Minha mãe e eu: eu sou alto demais, daí só saiu parte do rosto dela
Nada melhor do que aproveitar a data de hoje para apontar dez dos vários títulos que o cinema já produziu que trás personagens que são mães. Muitos retratos de mães que já conferimos as trazem em diversas situações complicadas em família, seja a responsabilidade que desempenhar o papel de mãe trás seja a rebeldia dos filhos ou a traição do marido. Mas há também aquelas errantes, vilãs. Mas antes de eu relacionar aquelas que mais me marcaram diante da personalidade ou da história que protagonizam, não posso me esquecer de desejar um feliz Dia das Mães para a minha, Aparecida, que não desempenha somente este papel, mas também o de pai e amiga. E também desejo a mãe de todos vocês, cinéfilos e cinéfilas, um ótimo dia. Dica: que tal vocês se reunirem com ela esta noite e ver um filme descompromissado ou um desses listados abaixo? Garanto que não há presente melhor!
Maldito Coração, de Asia Argento (2004, The Heart Is Deceitful Above All Things)
- Quem pensava que este filme mais popular de Asia Argento na direção seria algo parecido com que sempre foi realizado pelo seu pai Dario Argento provavelmente quebrou a cara. Aqui não há qualquer cena de horror regado a sangue, embora muitos dos acontecimentos sejam muito, muito incômodos. Em “Maldito Coração” o perfil que podemos retirar de mãe é o de louca, irresponsável, abominável, mas ainda assim uma mãe. O filme acompanha as várias fases de crescimento de Jeremiah e a tumultuada vida com a sua mãe Sarah, que troca de homens assim como troca de roupas. Mas quem pagará o preço é o próprio Jeremiah, que, numa sequência que nunca sairá de sua memória, é molestado por um dos amores de Sarah.
Do Jeito Que Ela É, de Peter Hedges (2003, Pieces of April)
- Na opinião deste cinéfilo, “Do Jeito Que Ela É” é o melhor filme a tratar de uma relação entre mãe e filha, além de guardar como um dos melhores longas vistos em sua pequena existência. Filmado em recurso digital somente com 300 mil dólares, Hedges estréia na direção com este filme que é uma homenagem para a sua mãe, cuja história é simples, mas capaz de comover qualquer um. Katie Holmes e Patricia Clarkson, perfeitas, nunca tiveram um momento juntas válido para ser lembrado. Digamos que uma dá uma chance para a outra e vice-versa para registrar um bom momento. E a previsão para que isto aconteça será no Dia de Ação de Graças. Mas as coisas não darão certo com muita facilidade, pois Holmes não consegue dar conta dos preparativos para a data em seu modesto apartamento e Clarkson está com os dias contados diante do seu câncer. Preparem os lenços!
Entre Quatro Paredes, de Todd Field (2001, In the Bedroom)
- No filme de Todd Field, Tom Wilkinson e Sissy Spacek vivem um casal que durante toda a união tiveram um único filho, que é interpretado por Nick Stahl. Ele namora com Marisa Tomei, que é bem mais velha do que ele. Mas o problema não é somente a idade: William Mapother, ex-marido da Marisa, é um sujeito explosivo e que interferirá no relacionamento dos dois, o que culmina em um acontecimento trágico. A mãe de Sissy Spacek, que já imaginava que algo de bom não aconteceria durante neste namoro, protagoniza duas cenas devastadoras, uma com Wilkinson e outra com Marisa Tomei. Esplêndido drama que trás um outro lado da moeda: a dor da perda filmada através dos pais, e não dos filhos.
O Dom da Premonição, de Sam Raimi (2000, The Gift)
- No melhor filme de toda a filmografia de Sam Raimi, Cate Blanchett é Annie. Ela herdou um dom que a faz ter pistas do que acontecerá no futuro daqueles que passam por consultas com ela. A sua amiga Valerie (Hilary Swank) é a que mais pede para que coisas da sua relação com o o seu rude marido (Keanu Reeves) sejam esclarecidas. Dá que ele se torna suspeito do desaparecimento da jovem Jessica (Katie Holmes), que estava prestes a se casar com Wayne (Greg Kinnear). Embora o destaque aqui seja o mistério desse desaparecimento e o culpado por ele, o que mais fortalece a narrativa é a situação da personagem de Blanchett, uma mulher pobre e com filhos para criar que passa a ser chamada de bruxa por muitas pessoas que vivem em seu município. E essa história é inspirada na vida da mãe do ator Billy Bob Thornton, que aqui assina o roteiro.
De Bem com a Vida, de Nick Cassavetes (1996, Unhook the Stars)
- Millie (Gena Rowlands) revela um retrato diferente do que já foi visto sobre as mães. Ela é viúva e mãe de dois filhos bem crescidos. Um deles é casado, vai ter um filho e está com a vida profissional em ascensão. A outra também já amadureceu, embora ainda dependa da mãe para viver, e acaba por abandoná-la. Sozinha, se dispõe a cuidar do filho da sua vizinha Monica (Marisa Tomei), que está com um casamento em ruínas. Esse menino, que é interpretado por Jake Lloyd, fará com que Millie repense muito sobre a sua existência. Bela homenagem para Gena Rowlands, filha de Nick Cassavetes, que aqui incorpora uma mãe que precisa que as responsabilidades e que aqueles que a cercam, especialmente os seus dois filhos, lhe dê espaço para ficar, como o ótimo título nacional entrega, de bem com a própria vida. Leia mais sobre o filme clicando aqui.
Mamãe é de Morte, de John Waters (1994, Serial Mom)
- Para o gênio bizarro John Waters, ter uma serial killer como mãe é motivo para se orgulhar. E, para ser franco, deve ser mesmo. Aqui a extraordinária Kathleen Turner faz tudo o que uma boa mãe deveria: mata a velha cliente da locadora do seu filho (papel de Matthew Lillard) que nunca rebobina as fitas de vídeo e o professor que lhe dá notas baixas, acerta um arpão no namorado cafajeste da sua filha (Ricki Lake) e elimina a vizinha que não recicla o próprio lixo. Quer mais? Ela ainda mantinha contato com amigos como Ted Bundy e Richard Speck. Que amor de mãe!
Laços de Ternura, de James L. Brooks (1983, Terms of Endearment)
- Se o assunto são mães cinematográficas não há exemplo ideal a ser lembrado do que “Laços de Ternura”. Neste drama oscarizado de James L. Brooks, Shirley MacLaine é a mãe de Debra Winger. As duas são aquele tipo de mãe e filha que nunca se separam, mesmo com os atritos que a relação apresenta. Dá que Debra Winger cresce e amadurece e se casa com Jeff Daniels, com quem terá três filhos, dois garotos e uma menina. O filme recebeu uma sequência, “O Entardecer de Uma Estrela”, que é tão bom quanto, mas o melodrama de L. Brooks permanece como aquele que melhor explora a vida dessas duas mães.
Mamãezinha Querida, de Frank Perry (1981, Mommie Dearest)
- Nem pensem em passar a data com a mãe vendo esse filme, caros! O filme é baseado em um best-seller de Christina Crawford, que por sua vez descreve as poucas e boas que viveu desde que foi adotada por Joan Crawford. Esta, que fora uma grande estrela de Hollywood, parecia não ser a mesma pessoas que os seus fãs e a mídia conhecia. Recomendado para aqueles que querem saber mais sobre Joan e também para as vítimas de castigos e agressões da própria mãe e que planejam se vingar. Brincadeiras a parte, leia mais sobre o filme aqui.
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Kramer vs. Kramer, de Robert Benton (1979, Kramer vs. Kramer)
- Não é só de uma figura feminina que se forma uma mãe. No caso do famoso filme de Robert Benton, um pai, diante do abandono repentino da esposa e com o filho pequeno para criar, acaba se tornando obrigado a assumir também as responsabilidades de mãe. Embora o roteiro recorra a uma injustiça, o de não desenhar muito bem as motivações e dramas da personagem de Meryl Streep, dando a impressão de que estamos diante de uma autentica bitch, o filme sobrevive e se torna relevante diante da data devido ao notável desempenho de Dustin Hoffman, que agarra esse papel que lhe rendeu seu primeiro Oscar com uma veracidade impressionante.
O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (1968, Rosemary’s Baby)
- O amor de mãe também pode servir como abordagem para um filme de terror. Foi assim que Roman Polanski deve ter pensado ao ter concebido “O Bebê de Rosemary”, adaptação da novela de Ira Levin. Em seu papel mais famoso, Mia Farrow é Rosemary. Ela é esposa de John Cassavetes, que vive um ator decadente. Hospedados no edifício Dakota (palco do assassinato de John Lennon), Rosemary engravida e no período de gestação vê à sua frente estranhos fenômenos que envolve o seu marido e também os próprios vizinhos. Ainda assim, é o desejo em ter um filho que a fará ter forças para tentar se afastar desse estranho ritual.
Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais.

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